Resenha: Eragon

O Ciclo da Herança, série de estreia do escritor Christopher Paolini, se passa em Alagaësia e conta a história de Eragon, um lavrador de quinze anos de idade que, durante uma caçada, encontra um ovo de dragão.

Poucos dias depois, o ovo rompe e dele sai um dragão de escamas azuis, que Eragon chama de Saphira. Quando a toca, surge uma estranha marca em sua mão, a gedwëy ignasia (palma brilhante): a marca dos Cavaleiros de Dragão.

É necessário, agora, abrir um parêntese para que eu possa falar sobre eles. Outrora, a Ordem dos Cavaleiros fora a maior responsável pela justiça em Alagaësia e, então, havia prosperidade e paz.

Entretanto, cerca de cem anos antes de Eragon encontrar o ovo de Saphira, um Cavaleiro chamado Galbatorix, dominado pela loucura, destruiu a Ordem e matou quase todos os dragões com a ajuda de treze Cavaleiros traidores, os chamados Renegados. Desde então, Galbatorix permanece sob o comando do império dos humanos.

Portanto, quando chegamos a Eragon, tanto os Cavaleiros quanto os dragões não passam de histórias, pois o único Cavaleiro de Dragão vivo é o próprio imperador.

Temendo que seu tio Garrow e seu primo Roran, com quem morava, o forçassem a se livrar de Saphira, Eragon a mantém escondida. Como ela cresce em uma velocidade fora do comum, em pouco tempo já é capaz de se cuidar sozinha na floresta e caçar seu próprio alimento, de forma que o rapaz não se vê forçado a contar a ninguém.

Mas, quando sua ignorância a respeito dos dragões começa a incomodá-lo, Eragon resolve procurar o contador de histórias da vila mais próxima, Brom, que, dentre as pessoas que o rapaz conhecia, era a que mais sabia a respeito do assunto. Algumas perguntas o deixam extremamente desconfiado, mas Eragon conta uma mentira para enganá-lo.

Mais tarde, Roran decide trabalhar em uma cidade vizinha com o objetivo de arrecadar algum dinheiro para que pudesse se casar com a garota que amava, Katrina, deixando Eragon e Garrow sozinhos para cuidar da fazenda.

Nesse momento, chegam à vila estranhos homens encapuzados que dizem receber ordens do Imperador. Os homens, chamados de Ra’zac, procuravam o ovo de dragão e chega aos ouvidos dele que Eragon o havia encontrado.

Quando Eragon está na estrada, retornando para casa a fim de avisar ao tio sobre os Ra’zac, Saphira o sequestra temendo que os homens misteriosos o matem. Eragon demora muitas horas para convencer o dragão a retornar para sua fazenda e, quando finalmente a alcança, já está completamente destruída. O jovem resgata o tio ainda vivo, mas este acaba morrendo alguns dias depois.

Sabendo que a morte de Garrow e a destruição de sua fazenda haviam criado perguntas que ele jamais poderia responder sem contar a todos a respeito de Saphira, Eragon resolve fugir e se vingar dos Ra’zac, que já estavam retornando ao Império. Brom, o contador de histórias, o intercepta no meio da fuga e resolve acompanhá-lo.

Este é apenas o começo das aventuras de Eragon e Saphira. Com Brom, que se torna uma figura estranhamente misteriosa quando se recusa a contar onde aprendeu tudo que sabia sobre dragões e Cavaleiros, eles começam a aprender o verdadeiro significado de ser um Cavaleiro de Dragão.

De modo geral, eu gosto bastante deste livro. A maior parte das pessoas que criticam essa série argumenta que é uma cópia mal feita de Senhor dos Anéis. Quero trabalhar um pouco esse aspecto das críticas, porque ele é muito presente quando se trata deste livro, especificamente.

Fica muito claro para qualquer um que leu ambas as séries que o Paolini se inspirou no Tolkien para escrever Eragon, como muitos escritores atuais já o fizeram – afinal, Tolkien é um marco para a literatura fantástica. Entretanto, não há nada no livro que justifique essa afirmativa maldosa.

Eragon e Saphira são personagens totalmente inéditos, assim como Brom, Roran e os diversos outros personagens importantes da série. A trajetória de Eragon também não possui nada de semelhante à de Aragorn ou Frodo. Portanto, essa argumentação é inválida.

Falemos, então, de Eragon. Não encontrei problemas no roteiro do primeiro livro. Evidentemente, o final deixa muitas questões por resolver, mas elas serão respondidas ao longo da série.

Alagaësia é muito bem feita também. Não observei contradições, mesmo que a visão de mundo se altere ao longo da série – pois Eragon começa a conhecê-lo melhor.

Os personagens são complexos e bem trabalhados. Ao terminar este primeiro livro, você vai reparar que conhece muito pouco a maior parte dos personagens, mas não desanime, pois os próximos livros trarão respostas sobre muitos deles.

Um livro maravilhoso e único. Eu recomendo.

Segue abaixo o trailer do filme de Eragon. Pretendo fazer uma crítica , portanto, não falarei sobre ele por enquanto.

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Especial: O Ciclo da Herança

Caros leitores do meu blog,

Nas próximas semanas, postarei aqui neste blog as resenhas dos quatro volumes do Ciclo da Herança, escrito por Chistopher Paolini. Também farei um pequeno apanhado de citações que me chamaram a atenção ao longo da série e apresentarei a vocês alguns dos personagens mais importantes da série.

Hoje, vou postar a resenha do primeiro volume da série, Eragon.

Abraços e nos vemos lá!

[Fanmix] Battlefield

Contracapa

01. After the Fall – Trans-Siberian Orchestra (Morte da Ariana) Letra/Tradução YouTube
You can live your life in a thousand ways
But it all comes down to that single day
When you realize what you regret
What you can’t reclaim but you can’t forget
(Você pode viver sua vida de milhares maneiras/Mas tudo vem à tona naquele único dia/No qual você se dá conta do que se arrepende/Do que você não pode recuperar, mas não pode esquecer)

02. Knightrider of Doom – Rhapsody of Fire (Batalha contra Grindelwald) Letra/Tradução YouTube
In this bloody dawn
I will wash my soul
To call the spirit of vengeance
To deny my wisdom for anger
To break the scream of the silent fool
And to be the son of doom
(Neste amanhecer sangrento/Vou lavar minha alma/Chamar o espírito de vingança/Para negar minha sabedoria por raiva/Para quebrar o grito do tolo silencioso/E, para ser o filho de castigo)

03. All That I Live For – Evanescence (Declaração ao Grindelwald) Letra/Tradução YouTube
Guess I thought I’d have to change the world
To make you see me
To be the one
I could have run forever
But how far would I have come
Without mourning your love?
(Achava que tinha que mudar o mundo/Para fazer você me ver/Para ser o único/Eu poderia correr para sempre/Mas até onde eu teria chegado/Sem lamentar pelo seu amor?)

04. Sensorium – Epica (Entre Grindelwald e Voldemort) Letra/Tradução YouTube
Being consciousness is a torment
The more we learn is the less we get
Every answer contains a new quest
A quest to non existence, a journey with no end
(Ser consciente é um tormento/Por mais que aprendamos, somos menos do que poderíamos ser/Toda resposta tem uma nova questão/Uma questão para uma não-existência, uma jornada sem fim)

05. The Power of One – Sonata Arctica (Convicções que tinha durante a guerra contra Voldemort) Letra/Tradução YouTube
No one was born to be a servant or a slave
Who can tell me the color of the rain?
In the world that we live in, the things said and done
They can well overrun
the power of one
(Ninguém nasceu para ser um servo ou escravo/Quem pode me dizer a cor da chuva?/No mundo em que vivemos, as coisas ditas e feita/Podem muito bem ultrapassar/O poder de um)

06. Sleeping Sun – Nightwish (Sobre a própria morte) Letra/Tradução YouTube
Sorrow has a human heart
From my god it will depart
I’d sail before a thousand moons
Never finding where to go
(Sofrimento, é o que tem em um coração humano/De meu deus eu irei me despedir/Eu velejei na presença de mil luas/Nunca achando para onde ir)

07. Battlefield – Blind Guardian (Ao Harry) Letra/Tradução YouTube
They’re getting closer now
Open your eyes
Wake up my dear young friend
And hate shall fade away
(Estão se aproximando agora/Abra seus olhos/Acorde meu caro e jovem amigo/E o ódio acabará)

Bônus Instrumental:
01. Toccata – Trans-Siberian Orchestra (Dumbledore vs. Grindelwald) YouTube
02. Wizards in Winter – Trans-Siberian Orchestra (Dumbledore vs. Voldemort) YouTube
03. A Mad Russian’s Christmas – Trans-Siberian Orchestra (Humor/Drama – sobre o Dumbledore) YouTube

Resenha: Julieta Imortal

Hoje falarei a respeito do livro Julieta Imortal, escrito pela norte-americana Stacey Jay, no qual se conta a história do famoso romance shakespereano sob uma perspectiva muito moderna.

Na tragédia escrita pelo inglês William Shakespeare, Romeu Montecchio e Julieta Capuleto são dois jovens amantes cujas famílias são inimigas. Forçada a se casar com um homem que não amava, a jovem Julieta simula a própria morte para sua família de forma que pudesse ser livre para estar junto ao homem que amava. Entretanto, antes que pudesse ser avisado acerca do plano, Romeu tira a própria vida, e Julieta, ao receber a notícia da morte dele, suicida também.

No livro de Jay, contudo, Julieta não teria se matado, ela fora assassinada por Romeu, que se unira a um grupo de imortais denominado Mercenários cujo principal objetivo é instigar jovens amantes a matarem seus parceiros em troca da imortalidade.

Quando a jovem estava à beira da morte, entretanto, uma mulher conhecida como Enfermeira oferece à Julieta a oportunidade de se juntar ao grupo denominado Embaixadores da Luz, que está constantemente em busca de almas gêmeas para protegê-las até que estivessem livres da influência dos Mercenários. Em troca de uma vida imortal impedindo que jovens amantes sofram o mesmo destino que ela e Romeu, Julieta aceita a proposta. Durante os séculos seguintes, Romeu e Julieta se tornam inimigos.

A história começa quando Julieta se apossa do corpo de Ariel Dragland, setecentos anos depois de ter se tornado imortal. A possessão é uma forma do Mercenário ou do Embaixador estar no mundo físico, tornando possível a sua missão. Ao possuir o corpo de Ariel, Julieta mantém sua individualidade, mas passa a compartilhar memórias e sentimentos da jovem.

Um dos principais aspectos positivos deste livro é a habilidade da autora ao criar um enredo que englobe a história de vida de Ariel, apesar da ausência desta personagem. A timidez e os conflitos que a jovem vive em seu cotidiano são perfeitamente encaixados no mundo de dúvidas e desespero que formam a trama da história da imortal Julieta.

A história tem um começo confuso, demorei cerca de três ou quatro capítulos para compreender o que estava acontecendo. A partir de então, o enredo se torna emocionante, quando Julieta, já no corpo de Ariel, foge de Romeu com a ajuda de um jovem chamado Ben, por quem ela começa a sentir algo estranho, profundo e perturbador.

Durante o desenvolvimento da história, quase me esqueci que a impressão inicial do livro fora a de um livro extremamente confuso – às vezes, quando surgia um personagem aleatório que ainda não fora introduzido apropriadamente, eu me recordava, mas eram raros casos.

Procurando ajudar a menina que era a verdadeira dona daquele corpo, Julieta toma providências para reconciliá-la com a mãe e aproximá-la de sua única amiga enquanto procura as almas gêmeas que deveria proteger.

Simultaneamente, ela se sente perturbada pelo silêncio dos Embaixadores superiores, que deveriam ajudá-la, o aparecimento do espectro de seu antigo corpo, os sentimentos estranhos que tem por Ben e as constantes investidas de Romeu, que parecia diferente do habitual.

Entretanto, quase repentinamente, a autora cai no velho clichê do “amor que é mais importante do que todos os outros aspectos da vida de uma pessoa reunidos”. Um final muito pobre para uma história que, a princípio, prometia tanto.

Aparentemente, haverá uma sequência que se chamará Romeo Redeemed (Romeu Redimido), a esperança é que ela conclua a história fantástica de Julieta, ainda que seja evidente que será um livro sobre o Romeu.