Meus Cinco Livros Nacionais Favoritos

Em decorrência do Dia Nacional do Livro, falarei hoje sobre meus cinco livros nacionais favoritos. O pessoal meio fanático pela literatura clássica vai ficar meio chocado com a ausência de autores mais tradicionais de nossa literatura. Deixem-me explicá-la a vocês.

Observamos que a maior parte dos jovens e das crianças brasileiras tem verdadeiro repúdio pelas obras clássicas e eu dedico muito tempo de reflexão tentando descobrir por que. Sem adentrar muito nas questões do “entreguismo” brasileiro, da baixa autoestima diante dos produtos europeus e norte-americanos e outros – isso para mim é discurso político e não quero falar de política. Cheguei, então, a uma grande causa: a literatura brasileira está muito marcada pela temporalidade da obra.

A maior parte dos jovens não se identifica de fato com o que o autor está escrevendo. Machado de Assis, Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade são apenas aqueles velhos caducos que escreviam um monte de palavras difíceis que ninguém compreende ou sequer deseja compreender.

Hoje vivemos a era da literatura fantástica. Alguns professores mais tradicionalistas se recusam a enxergar, mas é verdade. Quem se importa se Capitu traiu ou não? Quem quer saber a respeito do sertão nordestino brasileiro, aquela realidade meio aterrorizante, mas muito distante?

Nós, jovens, queremos aventura, queremos magia, mas acho que nos contentaríamos com histórias que nos representassem. Não sei vocês, mas eu achava até legal a parte de Dom Casmurro que conta a infância e adolescência de Bentinho.  Depois, eles crescem e retornamos a monotonia do velhaco Machado de Assis, cujo humor sarcástico tão comentado pelos professores de literatura nunca era realmente compreendido.

Portanto, essa lista não terá literatura clássica e, se isso ocorre, não é minha culpa, pois é de conhecimento geral que esse tipo de literatura não é muito apreciado pelos jovens brasileiros.  E eu ainda não pude me recuperar do trauma de ser obrigada a lê-la ano após ano.

Meus cinco livros nacionais favoritos, então. Lembrando que não estou falando de qual livro é o melhor, mas quais eu mais gosto.

5. Dragões do Éter, Raphael Draccon

Certo. Essa é uma história difícil de resumir. Vocês se lembram daqueles contos infantis? “Chapeuzinho Vermelho”, “João e Maria”, “Branca de Neve”? E quem sabe “O Príncipe Sapo” e “Peter Pan”? Imagino que sim.

Todas essas histórias são verdadeiros horrores que ocorreram no mundo de Nova Ether. E é nisso que se baseia a série Dragões do Éter, de Raphael Draccon. Maravilhoso, sobrenatural e impactante. Em alguns momentos, a história assume um tom infantil de contos de fada, em outros, presenciamos acontecimentos tensos e horríveis dignos dos grandes autores de terror e suspense.

4. Primeiras Estórias, Guimarães Rosa

Tudo bem, eu disse que não haveria autores clássicos, mas não resisti. Ainda não existem tantos livros brasileiros bons que eu tenha lido, portanto, esse ainda está aqui. E numa posição acima à da coleção do Draccon. Deixem-me explicar.

Esse não é um livro que eu recomendaria a um leitor que apenas deseja pegar um livro para ler e largá-lo assim que finalizada a leitura. O interessante dessa leitura é a interpretação dos contos, a forma como eles se completam é maravilhosa. Portanto, se seu desejo não é terminar a leitura e tentar analisar o livro – ou buscar análises de outras pessoas –, esqueça-o e passe para a próxima.

Mas saiba de uma coisa. Eu jurei que, se um dia chegasse a escrever um livro dessa qualidade, eu jamais escreveria de novo, porque teria atingido o máximo da minha capacidade. Por que Guimarães Rosa não escreve contos aqui, ele escreve poesia em prosa, e de forma tão sutil que ninguém percebe.

Draccon falha miseravelmente em termos de roteiro vezes demais para ser colocado em uma posição acima a deste livro. Mesmo que os livros dele sejam muito mais divertidos.

Se o Guimarães Rosa pelo menos escrevesse sobre coisas mais legais…

3. Comédias para se Ler na Escola, Luis Fernando Verissimo

Certo. Não há ninguém com o mínimo de bom senso que não seja apaixonado por Luis Fernando Verissimo. Mesmo quem detesta ler adora esse cara. Eu sei, já vi. Ele é maravilhoso, um grande escritor, um grande tradutor da nossa realidade.

Verissimo é vida! E esse foi o primeiro livro dele que eu li. Não tenho nada a acrescentar. Se você não conhece Luis Fernando Verissimo, você tem duas opções:

  1. Leia.
  2. Morra.

Sem mais.

2. A Arma Escarlate, Renata Ventura

Já falei sobre esse livro aqui e acho que seria óbvio que ele estaria. Mas aonde? Nem mesmo eu sabia, precisei refletir um pouco.  Por que segundo lugar, então?

Se eu fosse impulsiva, meu amor por Harry Potter se sobreporia a todo o resto e eu colocaria este livro em primeiro e ponto. Mas o fato é que seria injusto com o primeiro lugar e com o próprio livro, porque eu teria escolhido a colocação dele apenas por compará-lo à minha série de livros favorita, não pelo valor que ele tem.

Este é apenas o primeiro volume de uma série, mas alguns personagens me incomodaram. Talvez estas sejam questões que os próximos livros trabalharão, mas isso pesou na hora de optar entre o primeiro e segundo lugar entre os meus favoritos. Um pequeno defeito, apenas, mas entre gigantes, pequenos erros são o que fazem a diferença.

De todo modo, este é um livro que merece ser lido, ele tem muito valor por si próprio. Há certo idealismo exacerbado por trás dele e isso muitas vezes incomoda o leitor que só quer um pouco de diversão, mas tudo bem, ele reflete bem a nossa realidade.

1. A Batalha do Apocalipse, Eduardo Spohr

Não pude resistir. Eduardo Spohr é o autor da minha geração – apesar dele ser um pouco mais velho –, o autor que traduz exatamente tudo o que a minha geração quer ler. Há magia, há fantasia, mas também está aqui, no Brasil, e reflete muito da nossa realidade, muitos dos nossos anseios, muitas das nossas questões.

Roteiro perfeito, personagens maravilhosos, livro sensacional! Não falta nada.

De novo, isso aqui não é “os melhores livros”, é “os meus livros favoritos”.

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