Resenha: O Hobbit

Para além das montanhas nebulosas, frias,/Adentrando cavernas, calabouços cravados,/Devemos partir antes de o sol surgir,/Em busca do pálido ouro encantado. (p. 13)

Esses versos, cantados pelos anões logo nas primeiras páginas do livro, resumem muito bem o enredo de O Hobbit, do famoso escritor inglês J. R. R. Tolkien.

Encontramo-nos, aqui, pela primeira vez com o Sr. Bilbo Bolseiro, um hobbit de excelente reputação que possuía uma vida pacata e jamais pensara em sair em uma aventura, pois essa não era uma atitude respeitável.  O que é um hobbit?, vocês se perguntam. Os hobbits são

um povo pequeno(…). Os hobbits não têm barba. Não possuem nenhum ou quase nenhum poder mágico, com exceção do tipo corriqueiro de mágica que os ajuda a desaparecer silenciosa e rapidamente (…). Eles tem a tendência a serem gordos no abdome; vestem-se com cores vivas (principalmente verde e amarelo), não usam sapatos, porque seus pés já tem uma sola natural semelhante ao couro, e também pêlos espessos e castanhos parecidos com os cabelos da cabeça (que são encaracolados; tem dedos morenos, longos e ágeis, rostos amigáveis, e dão gargalhadas profundas e deliciosas (…).(p. 2)

A vida do Sr. Bolseiro muda radicalmente quando ele se encontra com o mago Gandalf na frente de sua toca, n’A Colina, e o chama para tomar um chá na tarde do dia seguinte. O mago não apenas comparece, mas trás consigo treze anões: Dwalin, Balin, Kili, Fili, Dori, Nori, Ori, Oin, Gloin, Bifur, Bofur, Bombur e Thorin.

Muita conversa, música e comilança se passam enquanto o respeitável hobbit observa estupefato. Então, finalmente, Thorin explica ao Sr. Bolseiro que seu avô, Thror, fora chamado de Rei sob a Montanha e possuía grande riqueza e estima entre anões e homens. Mas um dragão especialmente ganancioso chamado Smaug, atraído pela famosa fortuna, saqueou os salões de Thror e matou todos que se encontravam dentro.

Por sugestão de Gandalf, os anões estavam contratando o hobbit como ladrão para ajudá-los a derrotar Smaug e resgatar seu ouro, em troca da décima quarta parte do tesouro.

Apesar de ser um respeitável hobbit muitíssimo respeitável, Bilbo Bolseiro se vê atraído pela ideia da aventura e parte junto aos anões e ao mago.

Meu sentimento, ao ler esse livro, é o sentimento que eu tenho ao assistir uma das animações da Disney ou ao ler um clássico conto de fadas infantil. Ele é mágico, belo, sincero e musical! E essa semelhança não é acidental, pois o que Tolkien procurou criar, ao escrever O Hobbit, foi um conto escrito diretamente para o publico infantil.

Como tudo que o autor escreve, este livro possui um ambiente quase palpável. Ainda que o Tolkien não seja tão descritivo quanto em suas outras obras, ler O Hobbit envolve sentir a magia do mundo criado pelo autor fluir através das palavras.

É lindo e mágico.

Segue o trailer do primeiro filme do que será a  trilogia d’O Hobbit, que estreará no dia 14 de dezembro. Ele será dirigido pelo Peter Jackson, que já adaptou brilhantemente a trilogia O Senhor dos Anéis, do mesmo autor.

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Resenha: As Vantagens de ser Invisível

Vou falar sobre o livro As Vantagens de ser Invisível, de Stephen Chbosky, que é algo que venho tentando fazer incansavelmente nos últimos dias – desde que o li pela primeira vez –, sem sucesso. Não fosse o fato que mais de uma pessoa me pediu que o resenhasse e também que eu realmente precisasse falar sobre ele, deixaria de lado e resenharia The Mark of Athena, como havia prometido.

Então, a obra conta a história de Charlie. Ou seria melhor dizer que, nessa obra, Charlie nos conta a sua própria história? O livro é, na realidade, um apanhado de cartas escritas do protagonista para um amigo, alguém a quem disseram para ele escrever, o próprio leitor.

Estou escrevendo porque ela disse que você me ouviria e entenderia, e não tentou dormir com aquela pessoa naquela festa, embora pudesse ter feito isso. Por favor, não tente descobrir quem ela é, porque você poderá descobrir quem eu sou. Chamarei as pessoas por nomes diferentes ou darei um nome qualquer porque não quero que descubram quem eu sou. (p. 12)
 

Você não sabe exatamente quem o Charlie é, apenas conhece o que nos conta em suas cartas. Às vezes, parece ser o bastante, porque ele é um excelente observador, mas, outras vezes, é angustiante, porque ele costuma evitar tocar em determinados assuntos, fugindo repentinamente deles. Eu afirmo que isso não é ao acaso.

Por trás desse garoto de quinze anos absolutamente normal, Charlie é uma pessoa muito especial, um rapaz observador, inteligente e puro, mas também visivelmente ansioso e resguardado. Por quê? Essa é a questão que nos persegue ao longo da leitura.

Farei apenas um pequeno resumo do contexto em que conhecemos Charlie.

Encontramo-nos com ele pela primeira vez em um momento de intensa ansiedade, porque no dia seguinte ele começaria o Ensino Médio e, após o suicídio de seu melhor amigo, Charlie não conhecia mais ninguém.

Após algumas semanas solitárias, ele acaba por conhecer Patrick e sua irmã postiça, Sam, veteranos na sua escola. Eles o introduzem a um seleto grupo de amigos e fazem de tudo para que ele se sinta incluído, apesar de todos serem mais velhos.

Eu estava sentado no porão, na minha primeira festa de verdade, entre Sam e Patrick, e lembro que Sam me apresentou como amigo a Bob. E lembro que Patrick fez a mesma coisa com o Brad. E comecei a chorar. E ninguém naquele porão me achava estranho por estar fazendo isso. E depois eu comecei a chorar pra valer.
Bob ergueu seu drinque e pediu a todos que fizessem o mesmo.
“A Charlie”
E todo o grupo disse: “A Charlie.” (p. 48)
 

Se você gosta de mistério e tem alguma sensibilidade, vai amar esse livro. Ele é como uma aventura do Sherlock Holmes, entretanto, as pistas não estão nos outros, mas dentro da cabeça de Charlie, em seu inconsciente. É um desbravamento da mente do protagonista em busca de algo que ele reluta se lembrar.

Além disso, observamos o mundo através dos olhos atentos, mas incrivelmente puros de Charlie e, então, de modo repentino, lembramo-nos nossa infância e da forma como algumas questões nos intrigavam no começo de nossa adolescência.

Stephen Chbosky é escritor, roteirista e diretor, e foi o responsável pela adaptação do livro para o cinema. Isso, com certeza, faz com que o filme seja algo especial e complementar ao livro, pois mostra um pouco além do que Charlie nos dizia no livro. É uma excelente adaptação.

Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim. (p. 12)
 

E é dessa forma como nos sentimos, um misto de felicidade e tristeza por Charlie, por sua história e por nós mesmos e tudo que foi deixado para trás. É um livro para deixar qualquer um à beira das lágrimas.

Segue o trailer do filme: