História Original: Primeiros Rascunhos

Conheci Row há alguns anos, quando eu tinha apenas sete anos de idade.

Naquela época, eu estava aprendendo a ler e resolvi dedicar o meu tempo a aprender a falar como um adulto; eu os observava conversando entre si para aprender os tópicos abordados e lia dicionários para que meu vocabulário ficasse mais amplo. Ao final daquele ano, eu possuía um vocabulário muito maior que o da minha professora.

Portanto, eu estava absorta lendo um dicionário quando ouvi uma batida na janela do meu quarto. Olhei assustada, procurando identificar a sua origem, e me deparei com um minúsculo passarinho me encarando cheio de dor. Logo em seguida, ele caiu, sumindo do meu campo de visão.

Eu saí correndo, pensando no que aconteceria ao coitado se Pudim o encontrasse antes de mim. Felizmente, encontrei o pássaro, ainda consciente, deitado próximo à janela do meu quarto; meu cachorro dormia ao lado da porta que levava à cozinha, tão preguiçoso que sequer levantou os olhos quando passei por ele.

Não me lembrava de qual era o nome daquela espécie, mas eu sabia que era comum, pois já vira muitos pássaros como aquele. Ele era menor do que a maioria dos que havia visto, portanto, provavelmente era um filhote.

Segurei a criaturinha com cuidado e levei até a minha mãe. Ela provavelmente saberia lidar com a situação melhor do que eu, já que trabalhava com animais – mesmo que ela só realmente soubesse sobre os que já haviam morrido há muito tempo – e eu não tinha conhecimento algum a respeito.

Mamãe me olhou com um misto de espanto e caridade quando eu o levei até ela. Ela examinou a pequena ave em cima da bancada da cozinha, tentando não machuca-la. O pássaro não desgrudou os olhos de mim e parecia pedir ajuda.

Alguns longos minutos depois, mamãe disse que esse pássaro era um filhote de bem-te-vi e que uma de suas asas estava quebrada. Com a minha ajuda, ela improvisou uma tala para imobilizá-la e, depois, colocou-o dentro de uma caixa de sapato e disse que eu o alimentasse com maçãs.

– Como sabe que ele come maçãs? – Eu perguntei, mamãe não podia ser tão boa assim.

– Nós sempre deixamos pedaços de frutas por aí para os passarinhos comerem. Você sabe como seu pai gosta deles por aqui. Eu já vi passarinhos como esse comendo frutas.

Querendo mostrar que seria responsável e cuidaria bem do passarinho, peguei uma maçã na geladeira, pedi à mamãe que ela cortasse em pequenos pedaços – porque ela continuava a se recusar a deixar que eu chegasse perto de uma faca; como se eu fosse matá-la enquanto dorme ou algo assim! – e levei a caixa com o pássaro e os pedaços de maçã para o meu quarto.

Lembro-me muito bem das horas que se seguiram. Ele estava realmente deprimido – seus olhos pareciam tão tristes que chorei várias vezes por ele –, mas eu tentava animá-lo conversando enquanto dava os pequenos pedaços de maçã.

A princípio, ele apenas me encarava confuso e cheio de dor, também não tocava na comida que eu lhe dava. Comecei a me preocupar, meus olhos se enchiam de lágrimas só de pensar no que aconteceria caso o pássaro continuasse com essa atitude.

Passava de cinco horas da tarde quando, finalmente, percebi que ele começava a compreender o meu recado. Ele parecia um pouco menos triste, ainda que fosse evidente que continuava a sentir dor, e começou a se esforçar para comer os pedaços de maçã que eu lhe dava.

Naquele dia, eu só o deixei sozinho por meia hora enquanto jantava com a minha família e, à noite, nem percebi quando adormeci ao lado da caixa. Lembro-me até hoje que tive um sonho vívido em que eu era um pássaro.

Acordei de repente na manhã seguinte, sem compreender ao certo o que me acordara.

– Fome… – ouvi uma voz muito aguda dizendo, – estou com fome!

Levantei a cabeça e me voltei para a voz. Sonolenta, demorei alguns segundo para perceber que encarava o pássaro.

– Estou com fome. Você tem alguma coisa para comer com você? – Perguntou.

Eu precisei conter o grito. Engoli-o duas vezes antes que conseguisse gaguejar.

– Você fala…?

Ele me encarou orgulhoso.

– Claro que eu falo! Você não se lembra de como me ensinou? – Devo ter parecido muito confusa, pois ele acrescentou: – no começo, eu não entendia as palavras que você colocou na minha cabeça, mas depois comecei a prestar atenção para afastar a dor e aprendi a entender. Você não tem nada para comer mesmo? Estou faminto!

– Eu não te ensinei… como poderia?

– Não sei. Que tal um pouco mais daquela fruta? Você a chamou de maçã?

Decidi deixar aquele assunto de lado por enquanto. Eu estava com tanta fome quanto o pássaro dizia estar, pois comera pouco no dia anterior. Levantei-me, prometendo trazer algo para comer, quando me lembrei de uma pergunta que não fizera: a mais importante.

– Qual é o seu nome? O meu é…

– Astreia, eu sei. O meu nome é Row, do clã dos Pitangus sulphuratus[1]!

Eu assenti e saí. Nunca mais nos separamos, mas resolvemos que eu não revelaria a ninguém que Row podia falar e jamais admitimos nossa amizade para as outras pessoas; assim, ele poderia continuar livre e eu não precisaria ouvir perguntas que não saberia responder.

Depois de muito pesquisar sobre comportamento animal, rendi-me ao fato de que o que ocorrera naquele momento fora magia. Minha primeira, mas, certamente, não a última.


[1] Nome científico do Bem-Te-Vi.

[Esse trecho pertence a minha história original]

Especial: As Minhas Dez Séries Favoritas [Parte II]

Finalizando a lista das minhas dez séries favoritas. Confesso, foi difícil definir a ordem certa dos livros para a segunda, a terceira e a quarta posições, ainda não estou muito certa porque gosto muito mesmo dessas séries.

5. Boudica, Manda Scott

Este é um dos muitos livros que encontrei nas minhas horas vagas atrás das estantes das livrarias. Boudica me chamou a atenção por causa do título. Todos que bem me conhecem sabem que sou fissurada pelos povos celtas e Boudica acaba por ser a minha personagem histórica favorita de todos os tempos.

Enfim, eu comprei o primeiro volume de Boudica após um pequeno passeio pelas prateleiras da Leitura do BH Shopping. Eu não podia comprar um livro tão caro, mas comprei mesmo assim e não me arrependi: poucos dias depois, já estava comprando o segundo e o terceiro volume. O quarto ainda não foi lançado no Brasil e estou esperando ansiosamente.

Muito bem, Boudica conta a história da jovem Breaca, princesa herdeira da tribo iceni, e Bán, seu meio-irmão. A primeira queria ser uma vidente iniciada nos mistérios e o segundo quer se tornar um grande guerreiro. Entretanto, de certa forma, os papéis se invertem, Breaca é quem tem grande vocação para guerreira e Bán possui um poderoso dom espiritual.

Manda Scott faz uma ficção histórica semelhante à de Christian Jacq em um aspecto: não há preocupação muito grande com datas e fatos, ainda que a autora pareça narrar com muita precisão os costumes celtas. Uma coisa que adoro ressaltar é que essa autora é, também, veterinária. O espaço que ela dá aos animais nessa série é praticamente inédito a meu ver, adoro a descrição que ela faz sobre eles e o tratamento que os humanos dispensam a eles!

Além do mais, Breaca e Bán são personagens maravilhosos e apaixonantes.

O livro conta com quatro volumes:

1.      Águia
2.      Touro
3.      Cão
4.      Lança-Serpente

 

4. A Espada da Verdade, Terry Goodkind

Essa foi, sem dúvida, a série mais difícil de colocar em alguma posição. Se não fosse o grande amor que sinto pelas três que estão na frente desta, acho que ela teria ficado talvez em segundo ou terceiro lugar.

Optei pela quarta colocação por uma razão muito simples: eu li apenas cinco dos treze livros que compõe a série. Nos oito livros restantes, muita coisa pode mudar.

Muito bem, primeira coisa que eu quero dizer sobre A Espada da Verdade. Esta é uma série que tentaram publicar no Brasil, mas não houve muitas vendas, portanto, só há um livro em português, A Primeira Regra do Mago. Eu li os livros em ebooks que estão sendo traduzidos por fãs, mas pretendo comprar todos em inglês quando tiver dinheiro.

Agora, falando a respeito da história em si. Tudo começa quando, certo dia, enquanto caminhava pela floresta, o guia Richard Cypher encontra uma jovem mulher sendo perseguida por quatro homens fortemente armados. O rapaz a ajuda e descobre que seu nome é Kahlan Amnel e que ela estava procurando alguém muito importante.

Juntos, eles seguem para a casa do melhor amigo de Richard, o velho Zedd, que ele afirma ser a única pessoa que provavelmente poderia ajudá-la. Ao chegar lá, entretanto, Richard tem muitas surpresas: ele descobre que, anteriormente, seu amigo Zedd fora um dos magos mais poderosos do mundo conhecido. Kahlan quer que o homem nomeie um Seeker of Truth [tradução: buscador da verdade], um herói cuja missão é buscar a verdade e fazê-la prevalecer.

Zedd acaba por nomear Richard um Seeker ao lhe entregar a Espada da Verdade. Juntos, os três partem para uma missão para destruir o tirano Darken Rahl e restaurar a paz.

Parece uma história simples, mas não é tanto assim. Richard é um dos personagens mais maravilhosos que tive o prazer de conhecer, minha adoração por ele beira a adoração que sinto por muitos personagens com quem eu cresci. Kahlan é… Kahlan. Não há ninguém como ela, se um dia eu estive próxima de me apaixonar por uma personagem de ficção, esta personagem é a Kahlan! E Zedd é ótimo: sarcástico, comelão e sábio. Ele é indiscutivelmente o mentor, um poderoso e sábio mentor. Isso fora as personagens que surgem nos livros seguintes.

É perfeita e passa lições lindas sobre praticamente tudo: amor, amizade, poder, ira, união, tirania; tudo! Eu sou apaixonada por essa série, de verdade, e ainda não entendo porque não fez sucesso aqui.

São treze livros:

1.      Debt of Bones
2.      Wizard’s First Rule [Primeira Regra do Mago]
3.      Stone of Tears
4.      Blood of the Fold
5.      Temple of the Winds
6.      Soul of the Fire
7.      Faith of the Fallen
8.      The Pillars of Creation
9.      Naked Empire
10.    Chainfire  
11.     Phantom
12.    Confessor
13.    The Omen Machine

3. Avalon, Marion Zimmer Bradley

Os livros mais famosos dessa série são As Brumas de Avalon, e foi por eles que eu conheci a Marion Zimmer Bradley e a série Avalon. Mas, sinceramente, se eu fosse eleger o melhor livro da série, nenhum dos quatro livros que compõe As Brumas de Avalon seria ele.

A apenas um personagem recorrente nessa série: a ilha de Avalon. Ela não aparece em todos os livros, mas é a história dela que a autora pretende contar nessa série. Sim, a mesmíssima ilha para onde, diz-se, o rei Artur teria ido repousar quando foi derrotado por Mordred.

Brumas de Avalon trata realmente da história do rei Artur, mas sob a ótica das mulheres que aparecem na lenda. Os outros livros, entretanto, sequer mencionam Artur e seus cavaleiros [à exceção de alguns pequenos trechos, A Senhora de Avalon].

A série conta também com alguns personagens recorrentes, mas eles surgem e ressurgem em reencarnações diversas e uma das grandes diversões dos fãs da série é descobrir quem é quem em cada um dos livros. Como algumas reencarnações são mencionadas, outras ainda podem ser deduzidas.

Tenho um carinho especial por essa série. Ela não trás temas de reflexão como a série Darkover, da qual eu já falei, mas tem é muito sensível a certos aspectos da cultura celta, pela qual eu tenho grande admiração.

São onze livros traduzidos para o português:

1.       A Queda de Atlântida: Teia de Luz
2.      A Queda de Atlântida: Teia de Trevas
3.      Os Ancestrais de Avalon
4.      Os Corvos de Avalon
5.      A Casa da Floresta
6.      A Senhora de Avalon
7.      A Sacerdotisa de Avalon
8.      As Brumas de Avalon: A Senhora da Magia
9.      As Brumas de Avalon: A Grande-Rainha
10.    As Brumas de Avalon: O Gamo-Rei
11.     As Brumas de Avalon: O Prisioneiro da Árvore

 

2. Percy Jackson e os Olimpianos, Rick Riordan

O engraçado sobre essa série é o fato de que eu a li muito relutante. Havia ouvido falar muito sobre ela por bastante tempo, mas sempre tive medo de ler: adaptações da mitologia grega à cultura popular sempre foram grandes decepções.

Mas o Rick tem grande domínio da mitologia grega e soube adaptá-la perfeitamente aos dias atuais. Além do mais, Percy Jackson é um excelente personagem principal e, o que falta nele, é encontrado em seus dois primeiros companheiros: Grover Underwood e Annabeth Chase.

Li O Ladrão de Raios um dia antes de ir ver o filme. Foi uma leitura rápida como eu não fazia desde Harry Potter. No começo, é confuso e não entendemos perfeitamente o que está acontecendo, porque o próprio personagem principal se sente assim, mas depois descobrimos: Percy não é uma pessoa comum, ele é filho do deus dos mares, Poseidon, e está sendo acusado de roubar o raio mestre de Zeus.

Em minha opinião, O Mar de Monstros, o segundo volume, é o mais fraco dos livros. Tyson, o novo companheiro de Percy e Annabeth, é ótimo, mas algo se perde. Por outro lado, a série ganha os pontos perdidos em O Mar de Monstros no terceiro volume, A Maldição do Titã, e, a partir daí, a série fica cada vez mais emocionante até atingir seu fim.

Qualquer apaixonado adulto que conheça crianças tem a obrigação indicar esta série. É engraçada, emocionante e muito instrutiva.

A série é composta por cinco volumes:

1.      O Ladrão de Raios
2.      O Mar de Monstros
3.      A Maldição do Titã
4.      A Batalha do Labirinto
5.      O Último Olimpiano

1. Harry Potter, J. K. Rowling

O não tão aguardado primeiro lugar. Óbvio, Harry Potter. O livro dispensa qualquer comentário, quem não leu até hoje está absurdamente desatualizado em termos de literatura.

Esta é, sem dúvida, a série de livros mais importante da atualidade. Não apenas é uma literatura de qualidade [o que pode ser até discutível], mas também porque são os primeiros livros publicados que realmente faziam as crianças largarem os videogames e a televisão para se debruçar sobre as páginas de um livro e mergulhar por horas.

Contra todas as expectativas da época [é sabido pelos fãs que J. K. Rowling foi rejeitada por várias editoras], Harry Potter é o livro de maior sucesso da atualidade.

Se você não leu, vai um pequeno resumo da história.

Harry Potter é um menino que vive oprimido pelos tios e pelo primo desde a morte de seus pais, quando ele tinha apenas um ano de idade. Repentinamente, em seu aniversário de onze anos, um gigante chamado Rúbeo Hagrid e lhe entrega uma carta convidando-o a ingressar Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Harry descobre, então, que é um bruxo e que seus pais, contrariamente ao que lhe fora dito pelos seus tios, haviam sido assassinados pelo mais poderoso bruxo das trevas do século XX, Lord Voldemort. O garoto havia sobrevivido ao ataque e aleijado, de alguma forma, o bruxo, que desaparecera; isso o tornara famoso entre os bruxos.

Isso é apenas um resumo dos primeiros capítulos do primeiro livro. Se você não a leu, leia. Tudo o que eu posso dizer a favor da série só faria obscurecer o verdadeiro valor que ela possui, portanto, fica só a dica.

1.      Harry Potter e a Pedra Filosofal
2.     Harry Potter e a Câmara Secreta
3.     Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
4.     Harry Potter e o Cálice de Fogo
5.     Harry Potter e a Ordem da Fênix
6.     Harry Potter e o Enigma do Príncipe
7.     Harry Potter e as Relíquias da Morte

Terminado o post. Eu recomendo a leitura de todas as séries! Em breve, a resenha do The Mark of Athena.

Especial: As Minhas Dez Séries Favoritas [Parte I]

Eu venho fazendo resenhas dos livros que leio como modo de indicá-los – e, preparem-se, em breve teremos The Mark of Athena e The Casual Vacancy–, mas percebi que nunca falei das minhas séries favoritas. Para ser sincera, essa não é uma ideia original, mas eu gostaria de fazer. Portanto, este post tem em vista indicar as dez minhas séries favoritas.

10. A Mediadora, Meg Cabot

Falar dos meus livros favoritos sem falar de Meg Cabot é impossível. Apesar de ela escrever um gênero o qual eu aprecio muito pouco, os livros dela me encantam pela força das personagens principais.

Nós nos encontramos pela primeira vez com Suzannah Simon, a protagonista, no momento ela chega ao estado da Califórnia após uma longa viagem desde Nova York com o objetivo de ir morar com sua mãe, seu novo padrasto e os três filhos dele – não muito carinhosamente apelidados de Dunga, Soneca e Mestre.

Suzannah tenta não demonstrar seu desagrado acerca de todas aquelas mudanças e apreciar a nova casa e o novo quarto, mas é uma tarefa difícil quando há uma pessoa sentada no banco logo ao lado da janela observando-a com interesse. É um rapaz muito bonito, mas o que incomoda Suzannah é o fato dele estar morto.

Acontece que, apesar da aparência relativamente normal, Suzannah possui um dom: a capacidade de ver, se comunicar e tocar em fantasmas. Ela é uma Mediadora e, como tal, tem o dever de ajudar as almas atormentadas a seguir em frente, mas não está muito certa se isso é realmente uma coisa boa.

A história da série A Mediadora conta como Suzannah conhece e aprende a confiar em Jesse, o fantasma de um rapaz bonitão que mora em seu quarto. Bem humorada e sarcástica, ela me introduziu na primeira e única história de fantasmas que não só consegui terminar de ler, mas também amei.

Recomendo a todos, mesmo aos meninos.

A série conta com seis livros:

1.      A Terra das Sombras
2.      O Arcano Nove
3.      Reunião
4.      A Hora Mais Sombria
5.      Assombrado
6.      Crepúsculo

 

9. As Crônicas de Artur, Bernard Cornwell

Eu me lembro da primeira vez em que eu li esta série. Fiquei bastante confusa porque era um livro sobre o rei Artur, mas eu não vi sinal do próprio por um bom tempo.

A série, na verdade, conta a história de Derfel Cadarn, um saxão que foi adotado pelo mago Merlin quando era muito jovem e acaba por se tornar um dos grandes chefes guerreiros sob o comando de Artur. Sendo Derfel um amigo próximo de Artur, o saxão acaba por contar a história dele ao contar a sua.

Mas o mais esquisito é o fato de que o autor procura ver a lenda sob um viés mais histórico. No começo da série, ele procura explicar as magias de Merlin e dá ao Artur uma função mais provável diante do período em que ele viveu: a de um grande comandante. Isso se perde, mais para o final, infelizmente.

Essa é uma série maravilhosa, apesar do estranhamento inicial. Sempre recomendei e sempre vou recomendar. Ela é composta por três volumes:

1.      O Rei do Inverno
2.      O Inimigo de Deus
3.      Excalibur

8. Ramsés, Christian Jacq

Ainda que ambas sejam séries de ficção histórica, Ramsés é o extremo oposto das Crônicas de Artur em um aspecto: enquanto a segunda trabalha uma lenda tentando inseri-la num contexto histórico plausível, a primeira é uma história sobre um evento histórico completamente distorcido em um ambiente mais fantástico e mais romântico.

A série, como o próprio nome diz, conta a história do grande faraó egípcio Ramsés II, considerado por muito o mais poderoso faraó que o Egito possuiu. Ela começa quando o jovem príncipe Ramsés tem dezesseis anos e termina no momento em que o velho monarca morre, aos 89 anos, dando fim a um dos reinados mais longos no Egito Antigo.

A história egípcia é sempre incerta porque os monarcas a moldavam conforme seus interesses e é muito complicado diferenciar o que foi inventado por eles do que de fato aconteceu. Mas o Christian Jacq não se preocupa com os fatos históricos, ele reconstrói a história egípcia sobre uma ótica totalmente fantástica.

Essa é uma das melhores ficções que já li em toda a minha vida, mas não recomendo para pessoas que buscam aprender um pouco mais sobre o Egito. Ainda que Christian Jacq seja um egiptólogo, não se pode confiar em absolutamente nenhuma informação um pouco mais profunda sobre a sociedade egípcia que o livro apresente.

A série possui cinco livros:

1.       O Filho da Luz
2.      O Templo de Milhões de Anos
3.      A Batalha de Kadesh
4.      A Dama de Abu-Simbel
5.      Sob a Acácia do Ocidente

7. O Ciclo da Herança, Christopher Paolini

Eu já falei sobre essa série por aqui e não acho que valha a pena repetir tudo. Falarei apenas que conta a história do jovem Cavaleiro de Dragão Eragon e seu dragão, a fêmea Saphira. Àqueles que não sabem sobre este livro, recomendo que leiam a resenha que escrevi.

Falar de Paolini é falar de magia, de emoção e aventura. Eu amo esta série porque ela provoca emoções fortes ao mesmo tempo em que te transporta para um mundo diferente. Amo o modo como o autor descreve as personagens e sua tragetória.

Eu recomendo muito para todos os fãs de literatura fantástica. São, no total, quatro volumes:

1.      Eragon
2.      Eldest
3.      Brisingr
4.      Herança

6. Darkover, Marion Zimmer Bradley

Bom, esta é uma das melhores séries de todos os tempos. Marion Zimmer Bradley é, de fato, uma das minhas escritoras favoritas, a qual eu devo muito do meu gosto pela leitura.

Darkover é um planeta localizado em um sistema solar muito distante da Terra. Ele é habitado por seres humanos muito semelhantes dos terráqueos – mais tarde, descobre-se que estes são descendentes de humanos que acabaram por chegar a Darkover acidentalmente durante uma expedição interestelar e se viram incapazes de retornar.

A Marion me introduziu a uma literatura fantástica mais adulta, mais séria. Os temas que ela trata em Darkover são surpreendentemente densos. A série se baseia na seguinte questão: como seria o choque entre uma cultura interestelar com uma similar à medieval?

Mais tarde, a pedido de seus leitores, a autora escreveu diversos livros que contam a história de Darkover antes da chegada dos terráqueos, mas a questão inicial fora a supracitada.

Marion Zimmer Bradley tem a melhor construção de personagens que já tive o prazer de ler. Ela também trata com toda a naturalidade temas que, para nós, são muito polêmicos, em especial a questão da homossexualidade.

Certos livros, como o meu favorito A Casa de Thendara, abordam questões tão profundas que me faziam parar o livro por alguns dias para pensar a respeito delas – algo quase inédito, tendo em vista que eu tenho muita ansiedade para descobrir o final.

A série possui mais de trinta volumes, mas aqui no Brasil foram publicados apenas dezessete, até onde eu sei. Estes, em ordem cronológica, são:

1.      A Chegada em Darkover
2.      A Rainha da Tempestade
3.      A Dama do Falcão
4.      Dois para Conquistar
5.      Os Herdeiros de Hammerfell
6.      A Corrente Partida
7.      A Espada Encantada
8.      A Torre Proibida
9.      A Casa de Thendara
10.  Cidade da Magia
11.  Estrela do Perigo
12.  O Sol Vermelho
13.  A Herança de Hastur
14.  Os Salvadores do Planeta
15.  O Exílio de Sharra
16.  Os Destruidores de Mundo
17.  Canção do Exílio

 

Muito bem, postarei a Parte II em breve. Até lá!

A Jornada do Herói

Hoje, vivemos um momento de grande ascensão da assim chamada literatura infanto-juvenil. Com isso, somos constantemente apresentados a novos jovens heróis, como o bruxo Harry Potter, o semideus Percy Jackson, o gênio do crime Artemis Fowl e o cavaleiro de dragões Eragon Bromsson.

Harry Potter

A curiosidade dos fãs dessas séries os chama, também, a ler antigos clássicos que muito se assemelham às novidades da literatura do século XXI.

Alguns buscam as aventuras da Mitologia Grega, as lendas do rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, e alguns se voltam para literatura do início do século passado, representada principalmente por J. R. R. Tolkien, em O Senhor dos Anéis, e C. S. Lewis, em As Crônicas de Nárnia.

Porque as pessoas, independentemente de sua idade, sexo, origem e classe social, buscam esses heróis? O que os torna atemporais? O estudioso norte-americano David Leeming (2003) responde que:

“Individual e culturalmente, e também como espécie, perguntamo-nos sobre nossas origens, sobre a importância de nosso momento atual, e pensamos continuamente no futuro. Temos sempre consciência do caráter de jornada de nossa vida. É por isso que os adultos sempre contaram histórias às crianças para descrever essa jornada, e os líderes também as contam a seus povos pelas mesmas razões.” (p. 10)

Em um diálogo entre o herói Percy Jackson e seu mestre, o centauro Quíron, Rick Riordan(2009) expõe a sua resposta. Segundo ele, o herói

Percy Jackson

“transporta as esperanças da humanidade para a esfera do eterno. Os monstros nunca morrem. Eles renascem do caos e do barbarismo que sempre fermentam embaixo da civilização, o próprio material que torna Cronos mais forte. Precisam ser derrotados de novo, e de novo, mantidos encurralados. Os heróis personificam essa luta. Você enfrenta as batalhas que a humanidade precisa vencer, a cada geração, a fim de continuar sendo humana.” (p. 259-260)

Em 1949, o estudioso norte-americano Joseph Campbell publicou o livro O Herói de Mil Faces, no qual introduziu o termo monomito, ou “jornada do herói”. A “jornada” que Riordan e Leeming apresentam aos seus leitores fora explicada então de forma esquemática, que mostra que continuamos a nos identificar com esses heróis porque eles são, até certo ponto, parecidos.

O monomito está dividido em três partes: a partida, a iniciação e o retorno; estas partes estão subdivididas em doze estágios. Portanto, eles são:

    1. O Mundo Comum: no qual é apresentado o mundo em que o herói vive antes de sua história começar;
    2. O Chamado à Aventura: algo quebra a rotina do herói;
    3. A Recusa do Chamado: o herói se recusa a aceitar o chamado;
    4. O Auxílio Sobrenatural: o herói se encontra com um mentor, que o faz aceitar o chamado e o prepara;
    5. A Passagem pelo Primeiro Limiar: o herói abandona o seu mundo e passa para um mundo distinto, o que pode ocorrer por vontade própria ou ele pode ser obrigado;
    6. O Ventre da Baleia: o herói passa a viver no mundo especial e aprende sobre ele. Lá enfrenta desafios e inimigos, e recebe a ajuda de aliados.
    7. Aproximação: se aproxima o objetivo final da missão do herói;
    8. Provação Máxima: o momento de maior tensão e crise da aventura;
    9. Recompensa: como o nome diz, o herói tem êxito e conquista uma recompensa;
    10. Caminho de Volta: o herói retorna ao seu mundo comum;
    11. Ressurreição do Herói: neste momento, o herói tem que enfrentar uma nova provação ligada à morte, na qual ele terá que usar tudo que aprendeu;
    12. Regresso com o Elixir: é o fim da história, no qual o herói retorna ao seu mundo, mas transformado.

Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda

Albert P. Dahoui lembra que essa jornada nem sempre é apresentada da mesma forma, nem toda jornada precisa necessariamente responder a esse modelo e, mesmo as que respondem, nem sempre contém todas as etapas. Entretanto, percebemos algumas dessas fases em todas as histórias aqui citadas.

Harry Potter e Percy Jackson apresentam esse ciclo em cada um de seus respectivos livros e durante toda a aventura simultaneamente.

Os irmãos Pevensie, em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, tem uma jornada que só é concluída no último livro da série, A Última Batalha; ainda que a conclusão fuja um pouco do esquema de Campbell (não contarei para não estragar a surpresa de quem leu ainda).

Aragorn e Frodo, em O Senhor dos Anéis, devem desempenhar os papéis de heróis; cada um com o seu objetivo, cada um com a sua jornada. Entretanto, a mesma história.

E, por fim, os mitos gregos aos quais o próprio Campbell remete, e o ciclo arturiano.

Diferenças à parte, todos tratam a respeito de heróis que, como Riordan (2009) sabiamente descreveu, transportam “as esperanças da humanidade para a esfera do eterno” (p. 259).

Por fim, deixo meu vídeo sobre o Merlin e suas figuras hoje em dia, feito para a disciplina “História das Civilizações no Medievo” em 2010:

Link: 

Wikipédia

Fontes:

CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Pensamento, 1995.

DAHOUI, Albert Paul. A Jornada do Herói. Disponível em: <http://www.roteirodecinema.com.br/manuais.htm&gt;.

LEEMING, David. Do Olimpo a Camelot: Um panorama da mitologia européia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

RIORDAN, Rick. O Mar de Monstros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2009.


Os Católicos e o Pecado

by Mango84

Inesperadamente, enquanto pesquisava sobre a Inquisição, eu me deparei com um texto de um teólogo atual do qual eu já ouvi católicos ferrenhos falarem muito bem, Leonardo Boff. O autor, após ser muito criticado pela Igreja católica, distanciou-se da instituição de sua fé sem abandoná-la completamente. Reflexões diante da postura da “Congregação para a Doutrina da Fé”, liderada pelo então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, levaram  Boff (1993) a escrever:

“O espírito que fez surgir a Inquisição perdura na Igreja romano-católica, pois persiste a predominância do corpo clerical sobre toda a comunidade e a visão piramidal da Igreja, centrada no poder sagrado (…).
Ela continua na mentalidade e nos métodos da atual Congregação para a Doutrina da Fé. As modificações históricas, ao nível estrutural, são praticamente nulas. Evidentemente, não se condena mais à morte física, mas claramente não se evita a morte psicológica. Pressiona os acusados até o limite da suportabilidade psicológica.” (p. 24-25)

Provavelmente, o autor se referia apenas às restrições que Igreja impunha diante de suas idéias consideradas distantes da doutrina pregada pela instituição. Esse mesmo texto o faria vivenciar a experiência de ter suas idéias podadas pela instituição de sua fé e, após essa decepção, provocaria seu afastamento (por vontade própria) da vida clerical. Mas é evidente que isso se aplica às outras proibições que ela vem querendo impor: o uso da camisinha e outros métodos contraceptivos, a legalização do aborto, o uso de células-tronco, a institucionalização da união homossexual, a criminalização da homofobia, entre muitos outros.

Indo um pouco além, frei Betto, dominicano e adepto da mesma Teologia da Libertação de Leonardo Boff, menciona que “ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hétero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatário da graça divina”.

A Igreja católica, grande moldadora da consciência das pessoas, parece imutável nos seus mais de dez séculos de existência. Entretanto, é evidente que há uma mudança de pensamento radical no chamado baixo clero, aquele que possui o verdadeiro poder de persuasão. Os muitos preconceitos estão caindo por terra e, talvez, todos possamos ser quem somos sem medo em um futuro próximo.

Por fim, eu deixo uma frase a todos que se arriscam, por quaisquer motivos, a arder eternamente no inferno. E também àqueles que têm medo de arriscar, quem sabe. Também deixo um vídeo, uma propaganda linda contra o bullying homofóbico nas escolas, promovendo a idéia da amizade entre os jovens como uma maneira de combater esse mal.

A frase foi escrita pela maravilhosa Marion Zimmer Bradley, em seu famoso livro As Brumas de Avalon; o vídeo foi criado como parte da campanha BeLonG To, feita pela Stand Up! LGBT Awareness Week.

“Se o pecado é o preço de nossa união, (…) então pecarei alegremente e sem lamentar, pois isso me leva de volta a você.”

Fontes: 

BETTO. Os gays e a Bíblia. Disponível em: <http://www.planetaosasco.com/oeste/index.php?/2011052814398/Nosso-pais/frei-betto-a-igreja-nao-tem-o-direito-de-encarar-ninguem-como-homo-ou-hetero.html&gt;. Acesso em: 28 maio 2011.

BOFF, Leonardo. Inquisição: Um espírito que continua a existir. EYMERICH, Nicolau; PEÑA, Francisco. Manual dos Inquisitores. Brasília: Fundação Universidade de Brasília, 1993. p. 7-28.

Como Harry Potter mudou a minha vida

Há alguns meses tenho pensado em discursar sobre esse assunto, mas a falta de tempo me impediu. Entretanto, com o final evidente da série, eu preciso falar um pouco sobre Harry Potter. Escrevi esse texto para o Fórum 6v e quero reproduzi-lo por aqui também.

É um pouco difícil dizer como essa série mudou a minha vida, porque ela simplesmente é parte da minha vida. Eu li A Pedra Filosofal pela primeira vez com dez anos de idade e, desde então, venho crescendo e o Harry também. As experiências pelas quais ele passou me ensinaram valores, transformaram-me na pessoa que sou hoje. Como eu seria se nunca tivesse lido Harry Potter? Eu não consigo nem imaginar, de forma que nunca poderia responder como mudou a minha vida.

Eu era muito nova e não me lembro exatamente da primeira vez que li Harry Potter e a Pedra Filosofal; só sei que adorei cada um dos livros (menos do segundo e do quarto, mais do primeiro e do terceiro).

A única coisa que lembro é que deparei logo no primeiro capítulo com palavra “defronte” e perguntei a minha mãe o que significava aquilo; e também não sabia o que significava “broca”, mas não perguntei o que era a ninguém. E fico pensando no quanto as coisas mudaram, porque depois eu aprendi a olhar no dicionário e parei de perguntar ou deixar palavras passarem em branco. Hoje, o significado da palavra “defronte” não é nenhum mistério para mim, assim como muitas outras coisas e muitas outras palavras.

No meio tempo entre o lançamento do quarto e do quinto livros, eu reli Pedra Filosofal onze vezes e Prisioneiro de Azkaban treze vezes. Eu terminava de ler um livro e partia para o outro; lia dois ou três livros ao mesmo tempo, dentre os quais sempre estava Harry Potter. A Câmara Secreta foi o primeiro livro que li em um único dia, lembro-me que demorei apenas sete horas para ler, durante uma tarde, após a escola.

Na escola, os meus colegas me achavam esquisita: uma menina baixinha de roupas largas que sempre estava carregando um ou dois livros extras na mochila. Por causa disso, eu fui taxada de nerd e sofri bullying, mas eu não desisti dos livros ou do meu jeito de ser, porque eu aprendi com o Harry que não devia desistir dos meus valores por causa dos outros.

E é nessas pequenas coisas que digo que o Harry mudou minha vida. Ensinando-me o valor do amor e da amizade, da confiança nos meus valores e, em especial, tentar sempre fazer o bem aos outros, independentemente do quanto elas te façam mal. E o mais engraçado é que a lição final dos livros (para mim) consiste em: todo mundo erra, ninguém é perfeito. O que importa é seguir a sua vida, consertando o que fizer errado da melhor forma possível. Engraçado como os valores vão se tornando mais profundos e complexos, na medida em que o Harry vai crescendo (e eu também).

O que teria acontecido se, quando eu tinha dez anos, minha avó não tivesse comprado Harry Potter e a Pedra Filosofal para mim? Não tenho como imaginar, porque minha vida sem Harry Potter não é a minha vida, mas a de outra pessoa muito próxima e muito distante.

Por fim, coloco um vídeo muito divulgado na internet, feito pelo(a) :

Motivo de orgulho?

Hoje eu gostaria de mencionar um assunto muito importante e, ao mesmo tempo, muito desvalorizado no nosso país: política.

Em uma das redes sociais que freqüento surgiu o tema da posse de Dilma Roussef como primeira mulher na presidência do Brasil. Tema este foi induzido por uma matéria a respeito das mulheres na política brasileira. Uma excelente matéria, inclusive, sugiro que leiam.

Não sei quantos vão concordar comigo. Gostaria de fazer uma pequena lista constando as duas organizações às quais a primeira mulher na presidência do país participou e seus atos rebeldes:

  • Comando de Libertação Nacional (COLINA) – organização de extrema esquerda que desejava, através da luta armada, instalar no Brasil um regime socialista baseado nos ideais totalitários soviéticos. Entre as atitudes tomadas pela organização há roubos, atentados terroristas (uso de bombas) e assassinatos.
  • Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) – guerrilha de extrema esquerda, resultante da fusão da COLINA e da Vanguarda Popular Revolucionária de Carlos Lamarca.  Responsável por roubos e atos terroristas. Também teria planejado o seqüestro de Antônio Delfim Netto, um dos símbolos do Milagre Econômico da Ditadura Militar.

Roubo, assassinato e atentados terroristas. Vamos dar uma de inocentes e dizer que ela não sabia de nada disso; mesmo assim, fico me perguntando o que uma mulher cujo nome é associado a essas instituições está fazendo na presidência da república. Deixem-me explicar meu ponto de vista: se uma pessoa foi parte de uma instituição como essa, não quer dizer que ela concorda (nem que seja um pouco) com as idéias e atitudes da supracitada instituição?

Isso diante do pensamento mais inocente que podemos ter, é claro.

É como eu disse durante a discussão que me fez querer vir discursar aqui sobre essa mulher:

Tenho vergonha do meu país, que elegeu uma mulher como a Dilma para a presidência e ainda tem a audácia de lhe colocar a fama de primeira mulher presidente do Brasil. (…) Não estou interessada em discutir os males da ditadura, nem de ouvir defesas contra essa mulher. Eu admiro Gandhi, que certa vez disse “não existe um caminho para a paz; a paz é o caminho.”

Gandhi viveu uma dura realidade imperialista no país dele (e em outros nos quais ele viveu); mas em lugar de (como nossa presidente) levantar as armas sem se importar com os inocentes que feriria (e mataria) no caminho, ele se recusou a usar violência, lutou e chamou a atenção do mundo quando, por mais ameaçado que fosse, jamais tentou levantou sequer o punho contra seus agressores. E ele conseguiu, não é? Hoje, os países nos quais ele lutou por independência (Índia e África do Sul) estão livres.

Não estou dizendo que todos são capazes de agir como Gandhi, mas temos que concordar que a luta armada não nos levou a nada aqui no Brasil (o que causou a ruína da Ditadura Militar foi a crise econômica), mas a luta pacífica de Gandhi deu rumo a todo o processo já desencadeado de independência tanto na África do Sul quanto na Índia.

Eu me pergunto: o que uma mulher como a Dilma Roussef faz na presidência do Brasil quando temos exemplos como os do Gandhi, que mostram o quanto a atitude dela foi animalesca e não rendeu quaisquer frutos?

Por mais violentos que tenham sido os militares no período da Ditadura, nada justifica a ação terrorista que dá fim à vida de milhares de inocentes que apenas estão no lugar errado, na hora errada.

Sou contra a Dilma na presidência, sim. E que venham as pedradas, que venham as acusações de ignorância. Não escondo o fato de que acho um absurdo uma criminosa (ou alguém que compactou com criminosos) estar na presidência do Brasil.

Se sou burra ou sou ignorante, espero que continue sendo pelo resto da vida; porque se alguém merece ser privado dos direitos de cidadão (voto, execução de cargos públicos, educação em escolas e universidades públicas) é alguém que (por ignorância) dá a um assassino (ou alguém que concordou com assassinatos) um cargo tão alto de poder. Os assassinos, por fim, são apenas loucos; estes devem ser mantidos em hospitais e, talvez com o tratamento adequado e extremo cuidado, inseridos novamente na sociedade.

Fecho esse post pedindo a todos que sejam ignorantes como eu e não se acomodem enquanto essa mulher estiver exercendo o poder. Eu posso aceitar ladrões (não temos muitas opções, hoje), desde que sejam competentes, mas jamais assassinos.

Fonte: Pindorama NewsUsina de LetrasWikipédia