Resenha: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

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Publicado, pela primeira vez em 1950, este livro conta a história dos quatro irmãos Pevensie que, devido aos ataques aéreos à cidade de Londres durante a Segunda Guerra Mundial, vão viver no campo, em uma casa que pertence ao prof. Kirke, o Digory de O Sobrinho do Mago.

As crianças são: Pedro, de treze ou quatorze anos; Susana, de doze ou treze anos; Edmundo, de dez ou onze anos; e Lúcia, de oito ou nove anos.

Explorando a casa, Lúcia entra em um guarda-roupa e acaba por ser transportada a Nárnia, onde ela conhece um fauno chamado Sr. Tumnus. Nessa viagem, Lúcia descobre que há cem anos é inverno naquele mundo devido a um encanto feito pela Feiticeira Branca, que se proclama rainha de Nárnia.

Depois, ela retorna para casa e descobre que tempo algum se passara no seu mundo desde que entrara no guarda-roupa, ainda que em Nárnia tivessem se passado várias horas. Ela conta aos irmãos sua aventura, mas eles não acreditam.

Quando eles estão brincando de esconde-esconde dentro da casa, Lúcia entra novamente no guarda-roupa e Edmundo a segue, a fim de caçoar dela, mas eles se perdem um do outro e o menino acaba por se encontrar com a Feiticeira Branca, que lhe oferece doces e pede que trouxesse a ela seus irmãos, prometendo transformá-lo em príncipe de Nárnia.

Ele e Lúcia se encontram ainda em Nárnia, após Edmundo se despedir da Feiticeira, e ela fica empolgada com o fato de que, agora, o irmão poderia confirmar a sua história. Mas, ao retornarem par ao seu mundo, Edmundo nega que esteve em Nárnia.

Ainda depois, tentando sair do caminho da governanta da casa, que a mostrava para turistas interessados no aspecto histórico da construção, os quatro entram o guarda-roupa novamente e são enviados para Nárnia. Eles descobrem, então, que havia uma profecia que dizia que dois filhos de Adão e duas filhas de Eva seriam responsáveis pela queda da Feiticeira Branca e o fim do inverno em Nárnia, sendo, depois, coroados reis e rainhas de Nárnia.

Edmundo, entretanto, foge e vai ter com a Feiticeira Branca. Isso obriga os irmãos, antes relutantes em se envolver na guerra contra a Feiticeira, a ficarem para tentar resgatá-lo. Elas decidem se encontrar com Aslam, o verdadeiro senhor de Nárnia que acabara de retornar para a sua terra.

Esse livro faz, como O Sobrinho do Mago, referências bíblicas. O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa reconta de modo um tanto criativo a história da morte e ressurreição do Cristo. Ainda assim, é uma história extremamente cativante, que ressalta os valores da coragem, da nobreza de coração e da amizade.

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Resenha: Extraordinário

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Hoje eu vou falar um pouquinho sobre o livro “Extraordinário”, da autora R. J. Palacio.

Trata-se da história de August (Auggie) Pullman, de onze anos de idade, cujo maior desejo é ser tratado como aquilo que ele realmente é: um menino comum. Entretanto, ele nascera com uma grande deformação em seu rosto, que, em seus primeiros anos de vida, haviam impedido até mesmo de comer.

Conhecemos Auggie quando, após onze anos de vida e vinte e sete cirurgias, os pais dele finalmente acreditam que está na hora do garoto frequentar a escola, ainda que ele próprio não tenha tanta certeza disso. Mesmo depois de todo o esforço médico, o rosto de Auggie continua lhe rendendo apelidos como Freddy Krueger e alien.

Mesmo assim, corajoso, ele resolve arriscar e é matriculado na quinta série do colégio Beecher Prep. Lá, Auggie faz dois grandes amigos, Jack e Summer, mas a grande maioria dos seus colegas se sente desconfortável em relação à presença dele na escola e há um garoto chamado Julian que começa a perturbá-lo enviando bilhetes para Auggie e Jack.

O livro é dividido em oito partes, cada uma narrada por uma personagem diferente. Via (irmã dele), Summer, Jack, Justin (namorado da Via), Miranda (amiga de infância da Via) e três partes são narradas pelo Auggie. Cada um desses personagens tem um modo diferente de escrever e é muito interessante partir de um ponto de vista para o outro, pois muito do que um personagem não percebe, os outros podem perceber. Eu gostei bastante da estrutura do livro.

Esse é, sem dúvida, um dos livros mais interessantes que eu já li. Eu tenho muita convicção de que ele continuará sendo lido pelas próximas gerações, pois trata de uma temática que, provavelmente, ainda será atual em cem ou mesmo duzentos anos: o preconceito.

Resenha: Renascença

Renascença

“Renascença” começa passando a ideia de um excelente livro, com um enredo sensacional.

É contada a história de um jovem chamado Ezio Auditore, que vive na Florença do final do século XV. Ele é um rapaz despreocupado e com um futuro certo em frente quando, repentinamente, graças a uma reviravolta política, seu pai e seus dois irmãos são injustamente julgados culpados de traição e mortos em praça pública.

A Ezio cabe, então, arquitetar uma vingança contra os que assassinaram sua família e cuidar da mãe e da irmã. Para tanto, ele busca o auxílio do seu tio Mario, que mora numa cidade vizinha, e se junta à antiga Ordem dos Assassinos, a qual seu pai fizera parte.

Esse é um enredo interessante, mesclado ao ambiente renascentista e a presença ilustre de alguns personagens históricos, como Leonardo da Vinci, dá ao livro uma agradável expectativa.

Entretanto, com pouco mais de cinqüenta páginas, percebi que o autor, Oliver Bowden, ainda que excelente criador de histórias, não é tão bom contador.

Faltam sutilezas na narrativa. Primeiramente, ela é muito corrida, o autor nos faz esperar por detalhes que nunca aparecem, como partes do treinamento de Ezio, um pouco sobre o que se sucede entre Ezio e Rosa, um pouco mais sobre os personagens secundários. Enfim, o leitor passa grande parte do livro se sentindo jogado em ocasiões que não são explicadas muito adequadamente, cercado de personagens que ele não conhece muito bem.

Além disso, o tempo também é deixado de lado na narrativa. Deparamo-nos, repentinamente, sem saber ao certo quanto tempo se passou entre um pedaço do livro e o seguinte – que muitas vezes sequer estão em capítulos separados.

Por fim, a evolução da personagem principal é fracamente descrita. Há um enfoque no quanto Ezio se transforma no começo e, depois, ao seu treinamento e evolução como Assassino, mas repentinamente ele congela e, no final, ele parece ser uma pessoa completamente mudada inesperadamente.

Enfim, um enredo fabuloso, mas com uma das piores narrativas que já li em toda a minha vida.

Resenha: O Hobbit

Para além das montanhas nebulosas, frias,/Adentrando cavernas, calabouços cravados,/Devemos partir antes de o sol surgir,/Em busca do pálido ouro encantado. (p. 13)

Esses versos, cantados pelos anões logo nas primeiras páginas do livro, resumem muito bem o enredo de O Hobbit, do famoso escritor inglês J. R. R. Tolkien.

Encontramo-nos, aqui, pela primeira vez com o Sr. Bilbo Bolseiro, um hobbit de excelente reputação que possuía uma vida pacata e jamais pensara em sair em uma aventura, pois essa não era uma atitude respeitável.  O que é um hobbit?, vocês se perguntam. Os hobbits são

um povo pequeno(…). Os hobbits não têm barba. Não possuem nenhum ou quase nenhum poder mágico, com exceção do tipo corriqueiro de mágica que os ajuda a desaparecer silenciosa e rapidamente (…). Eles tem a tendência a serem gordos no abdome; vestem-se com cores vivas (principalmente verde e amarelo), não usam sapatos, porque seus pés já tem uma sola natural semelhante ao couro, e também pêlos espessos e castanhos parecidos com os cabelos da cabeça (que são encaracolados; tem dedos morenos, longos e ágeis, rostos amigáveis, e dão gargalhadas profundas e deliciosas (…).(p. 2)

A vida do Sr. Bolseiro muda radicalmente quando ele se encontra com o mago Gandalf na frente de sua toca, n’A Colina, e o chama para tomar um chá na tarde do dia seguinte. O mago não apenas comparece, mas trás consigo treze anões: Dwalin, Balin, Kili, Fili, Dori, Nori, Ori, Oin, Gloin, Bifur, Bofur, Bombur e Thorin.

Muita conversa, música e comilança se passam enquanto o respeitável hobbit observa estupefato. Então, finalmente, Thorin explica ao Sr. Bolseiro que seu avô, Thror, fora chamado de Rei sob a Montanha e possuía grande riqueza e estima entre anões e homens. Mas um dragão especialmente ganancioso chamado Smaug, atraído pela famosa fortuna, saqueou os salões de Thror e matou todos que se encontravam dentro.

Por sugestão de Gandalf, os anões estavam contratando o hobbit como ladrão para ajudá-los a derrotar Smaug e resgatar seu ouro, em troca da décima quarta parte do tesouro.

Apesar de ser um respeitável hobbit muitíssimo respeitável, Bilbo Bolseiro se vê atraído pela ideia da aventura e parte junto aos anões e ao mago.

Meu sentimento, ao ler esse livro, é o sentimento que eu tenho ao assistir uma das animações da Disney ou ao ler um clássico conto de fadas infantil. Ele é mágico, belo, sincero e musical! E essa semelhança não é acidental, pois o que Tolkien procurou criar, ao escrever O Hobbit, foi um conto escrito diretamente para o publico infantil.

Como tudo que o autor escreve, este livro possui um ambiente quase palpável. Ainda que o Tolkien não seja tão descritivo quanto em suas outras obras, ler O Hobbit envolve sentir a magia do mundo criado pelo autor fluir através das palavras.

É lindo e mágico.

Segue o trailer do primeiro filme do que será a  trilogia d’O Hobbit, que estreará no dia 14 de dezembro. Ele será dirigido pelo Peter Jackson, que já adaptou brilhantemente a trilogia O Senhor dos Anéis, do mesmo autor.

Resenha: As Vantagens de ser Invisível

Vou falar sobre o livro As Vantagens de ser Invisível, de Stephen Chbosky, que é algo que venho tentando fazer incansavelmente nos últimos dias – desde que o li pela primeira vez –, sem sucesso. Não fosse o fato que mais de uma pessoa me pediu que o resenhasse e também que eu realmente precisasse falar sobre ele, deixaria de lado e resenharia The Mark of Athena, como havia prometido.

Então, a obra conta a história de Charlie. Ou seria melhor dizer que, nessa obra, Charlie nos conta a sua própria história? O livro é, na realidade, um apanhado de cartas escritas do protagonista para um amigo, alguém a quem disseram para ele escrever, o próprio leitor.

Estou escrevendo porque ela disse que você me ouviria e entenderia, e não tentou dormir com aquela pessoa naquela festa, embora pudesse ter feito isso. Por favor, não tente descobrir quem ela é, porque você poderá descobrir quem eu sou. Chamarei as pessoas por nomes diferentes ou darei um nome qualquer porque não quero que descubram quem eu sou. (p. 12)
 

Você não sabe exatamente quem o Charlie é, apenas conhece o que nos conta em suas cartas. Às vezes, parece ser o bastante, porque ele é um excelente observador, mas, outras vezes, é angustiante, porque ele costuma evitar tocar em determinados assuntos, fugindo repentinamente deles. Eu afirmo que isso não é ao acaso.

Por trás desse garoto de quinze anos absolutamente normal, Charlie é uma pessoa muito especial, um rapaz observador, inteligente e puro, mas também visivelmente ansioso e resguardado. Por quê? Essa é a questão que nos persegue ao longo da leitura.

Farei apenas um pequeno resumo do contexto em que conhecemos Charlie.

Encontramo-nos com ele pela primeira vez em um momento de intensa ansiedade, porque no dia seguinte ele começaria o Ensino Médio e, após o suicídio de seu melhor amigo, Charlie não conhecia mais ninguém.

Após algumas semanas solitárias, ele acaba por conhecer Patrick e sua irmã postiça, Sam, veteranos na sua escola. Eles o introduzem a um seleto grupo de amigos e fazem de tudo para que ele se sinta incluído, apesar de todos serem mais velhos.

Eu estava sentado no porão, na minha primeira festa de verdade, entre Sam e Patrick, e lembro que Sam me apresentou como amigo a Bob. E lembro que Patrick fez a mesma coisa com o Brad. E comecei a chorar. E ninguém naquele porão me achava estranho por estar fazendo isso. E depois eu comecei a chorar pra valer.
Bob ergueu seu drinque e pediu a todos que fizessem o mesmo.
“A Charlie”
E todo o grupo disse: “A Charlie.” (p. 48)
 

Se você gosta de mistério e tem alguma sensibilidade, vai amar esse livro. Ele é como uma aventura do Sherlock Holmes, entretanto, as pistas não estão nos outros, mas dentro da cabeça de Charlie, em seu inconsciente. É um desbravamento da mente do protagonista em busca de algo que ele reluta se lembrar.

Além disso, observamos o mundo através dos olhos atentos, mas incrivelmente puros de Charlie e, então, de modo repentino, lembramo-nos nossa infância e da forma como algumas questões nos intrigavam no começo de nossa adolescência.

Stephen Chbosky é escritor, roteirista e diretor, e foi o responsável pela adaptação do livro para o cinema. Isso, com certeza, faz com que o filme seja algo especial e complementar ao livro, pois mostra um pouco além do que Charlie nos dizia no livro. É uma excelente adaptação.

Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim. (p. 12)
 

E é dessa forma como nos sentimos, um misto de felicidade e tristeza por Charlie, por sua história e por nós mesmos e tudo que foi deixado para trás. É um livro para deixar qualquer um à beira das lágrimas.

Segue o trailer do filme:

Resenha: Eragon

O Ciclo da Herança, série de estreia do escritor Christopher Paolini, se passa em Alagaësia e conta a história de Eragon, um lavrador de quinze anos de idade que, durante uma caçada, encontra um ovo de dragão.

Poucos dias depois, o ovo rompe e dele sai um dragão de escamas azuis, que Eragon chama de Saphira. Quando a toca, surge uma estranha marca em sua mão, a gedwëy ignasia (palma brilhante): a marca dos Cavaleiros de Dragão.

É necessário, agora, abrir um parêntese para que eu possa falar sobre eles. Outrora, a Ordem dos Cavaleiros fora a maior responsável pela justiça em Alagaësia e, então, havia prosperidade e paz.

Entretanto, cerca de cem anos antes de Eragon encontrar o ovo de Saphira, um Cavaleiro chamado Galbatorix, dominado pela loucura, destruiu a Ordem e matou quase todos os dragões com a ajuda de treze Cavaleiros traidores, os chamados Renegados. Desde então, Galbatorix permanece sob o comando do império dos humanos.

Portanto, quando chegamos a Eragon, tanto os Cavaleiros quanto os dragões não passam de histórias, pois o único Cavaleiro de Dragão vivo é o próprio imperador.

Temendo que seu tio Garrow e seu primo Roran, com quem morava, o forçassem a se livrar de Saphira, Eragon a mantém escondida. Como ela cresce em uma velocidade fora do comum, em pouco tempo já é capaz de se cuidar sozinha na floresta e caçar seu próprio alimento, de forma que o rapaz não se vê forçado a contar a ninguém.

Mas, quando sua ignorância a respeito dos dragões começa a incomodá-lo, Eragon resolve procurar o contador de histórias da vila mais próxima, Brom, que, dentre as pessoas que o rapaz conhecia, era a que mais sabia a respeito do assunto. Algumas perguntas o deixam extremamente desconfiado, mas Eragon conta uma mentira para enganá-lo.

Mais tarde, Roran decide trabalhar em uma cidade vizinha com o objetivo de arrecadar algum dinheiro para que pudesse se casar com a garota que amava, Katrina, deixando Eragon e Garrow sozinhos para cuidar da fazenda.

Nesse momento, chegam à vila estranhos homens encapuzados que dizem receber ordens do Imperador. Os homens, chamados de Ra’zac, procuravam o ovo de dragão e chega aos ouvidos dele que Eragon o havia encontrado.

Quando Eragon está na estrada, retornando para casa a fim de avisar ao tio sobre os Ra’zac, Saphira o sequestra temendo que os homens misteriosos o matem. Eragon demora muitas horas para convencer o dragão a retornar para sua fazenda e, quando finalmente a alcança, já está completamente destruída. O jovem resgata o tio ainda vivo, mas este acaba morrendo alguns dias depois.

Sabendo que a morte de Garrow e a destruição de sua fazenda haviam criado perguntas que ele jamais poderia responder sem contar a todos a respeito de Saphira, Eragon resolve fugir e se vingar dos Ra’zac, que já estavam retornando ao Império. Brom, o contador de histórias, o intercepta no meio da fuga e resolve acompanhá-lo.

Este é apenas o começo das aventuras de Eragon e Saphira. Com Brom, que se torna uma figura estranhamente misteriosa quando se recusa a contar onde aprendeu tudo que sabia sobre dragões e Cavaleiros, eles começam a aprender o verdadeiro significado de ser um Cavaleiro de Dragão.

De modo geral, eu gosto bastante deste livro. A maior parte das pessoas que criticam essa série argumenta que é uma cópia mal feita de Senhor dos Anéis. Quero trabalhar um pouco esse aspecto das críticas, porque ele é muito presente quando se trata deste livro, especificamente.

Fica muito claro para qualquer um que leu ambas as séries que o Paolini se inspirou no Tolkien para escrever Eragon, como muitos escritores atuais já o fizeram – afinal, Tolkien é um marco para a literatura fantástica. Entretanto, não há nada no livro que justifique essa afirmativa maldosa.

Eragon e Saphira são personagens totalmente inéditos, assim como Brom, Roran e os diversos outros personagens importantes da série. A trajetória de Eragon também não possui nada de semelhante à de Aragorn ou Frodo. Portanto, essa argumentação é inválida.

Falemos, então, de Eragon. Não encontrei problemas no roteiro do primeiro livro. Evidentemente, o final deixa muitas questões por resolver, mas elas serão respondidas ao longo da série.

Alagaësia é muito bem feita também. Não observei contradições, mesmo que a visão de mundo se altere ao longo da série – pois Eragon começa a conhecê-lo melhor.

Os personagens são complexos e bem trabalhados. Ao terminar este primeiro livro, você vai reparar que conhece muito pouco a maior parte dos personagens, mas não desanime, pois os próximos livros trarão respostas sobre muitos deles.

Um livro maravilhoso e único. Eu recomendo.

Segue abaixo o trailer do filme de Eragon. Pretendo fazer uma crítica , portanto, não falarei sobre ele por enquanto.

Resenha: Julieta Imortal

Hoje falarei a respeito do livro Julieta Imortal, escrito pela norte-americana Stacey Jay, no qual se conta a história do famoso romance shakespereano sob uma perspectiva muito moderna.

Na tragédia escrita pelo inglês William Shakespeare, Romeu Montecchio e Julieta Capuleto são dois jovens amantes cujas famílias são inimigas. Forçada a se casar com um homem que não amava, a jovem Julieta simula a própria morte para sua família de forma que pudesse ser livre para estar junto ao homem que amava. Entretanto, antes que pudesse ser avisado acerca do plano, Romeu tira a própria vida, e Julieta, ao receber a notícia da morte dele, suicida também.

No livro de Jay, contudo, Julieta não teria se matado, ela fora assassinada por Romeu, que se unira a um grupo de imortais denominado Mercenários cujo principal objetivo é instigar jovens amantes a matarem seus parceiros em troca da imortalidade.

Quando a jovem estava à beira da morte, entretanto, uma mulher conhecida como Enfermeira oferece à Julieta a oportunidade de se juntar ao grupo denominado Embaixadores da Luz, que está constantemente em busca de almas gêmeas para protegê-las até que estivessem livres da influência dos Mercenários. Em troca de uma vida imortal impedindo que jovens amantes sofram o mesmo destino que ela e Romeu, Julieta aceita a proposta. Durante os séculos seguintes, Romeu e Julieta se tornam inimigos.

A história começa quando Julieta se apossa do corpo de Ariel Dragland, setecentos anos depois de ter se tornado imortal. A possessão é uma forma do Mercenário ou do Embaixador estar no mundo físico, tornando possível a sua missão. Ao possuir o corpo de Ariel, Julieta mantém sua individualidade, mas passa a compartilhar memórias e sentimentos da jovem.

Um dos principais aspectos positivos deste livro é a habilidade da autora ao criar um enredo que englobe a história de vida de Ariel, apesar da ausência desta personagem. A timidez e os conflitos que a jovem vive em seu cotidiano são perfeitamente encaixados no mundo de dúvidas e desespero que formam a trama da história da imortal Julieta.

A história tem um começo confuso, demorei cerca de três ou quatro capítulos para compreender o que estava acontecendo. A partir de então, o enredo se torna emocionante, quando Julieta, já no corpo de Ariel, foge de Romeu com a ajuda de um jovem chamado Ben, por quem ela começa a sentir algo estranho, profundo e perturbador.

Durante o desenvolvimento da história, quase me esqueci que a impressão inicial do livro fora a de um livro extremamente confuso – às vezes, quando surgia um personagem aleatório que ainda não fora introduzido apropriadamente, eu me recordava, mas eram raros casos.

Procurando ajudar a menina que era a verdadeira dona daquele corpo, Julieta toma providências para reconciliá-la com a mãe e aproximá-la de sua única amiga enquanto procura as almas gêmeas que deveria proteger.

Simultaneamente, ela se sente perturbada pelo silêncio dos Embaixadores superiores, que deveriam ajudá-la, o aparecimento do espectro de seu antigo corpo, os sentimentos estranhos que tem por Ben e as constantes investidas de Romeu, que parecia diferente do habitual.

Entretanto, quase repentinamente, a autora cai no velho clichê do “amor que é mais importante do que todos os outros aspectos da vida de uma pessoa reunidos”. Um final muito pobre para uma história que, a princípio, prometia tanto.

Aparentemente, haverá uma sequência que se chamará Romeo Redeemed (Romeu Redimido), a esperança é que ela conclua a história fantástica de Julieta, ainda que seja evidente que será um livro sobre o Romeu.

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