Resenha: O Hobbit

Para além das montanhas nebulosas, frias,/Adentrando cavernas, calabouços cravados,/Devemos partir antes de o sol surgir,/Em busca do pálido ouro encantado. (p. 13)

Esses versos, cantados pelos anões logo nas primeiras páginas do livro, resumem muito bem o enredo de O Hobbit, do famoso escritor inglês J. R. R. Tolkien.

Encontramo-nos, aqui, pela primeira vez com o Sr. Bilbo Bolseiro, um hobbit de excelente reputação que possuía uma vida pacata e jamais pensara em sair em uma aventura, pois essa não era uma atitude respeitável.  O que é um hobbit?, vocês se perguntam. Os hobbits são

um povo pequeno(…). Os hobbits não têm barba. Não possuem nenhum ou quase nenhum poder mágico, com exceção do tipo corriqueiro de mágica que os ajuda a desaparecer silenciosa e rapidamente (…). Eles tem a tendência a serem gordos no abdome; vestem-se com cores vivas (principalmente verde e amarelo), não usam sapatos, porque seus pés já tem uma sola natural semelhante ao couro, e também pêlos espessos e castanhos parecidos com os cabelos da cabeça (que são encaracolados; tem dedos morenos, longos e ágeis, rostos amigáveis, e dão gargalhadas profundas e deliciosas (…).(p. 2)

A vida do Sr. Bolseiro muda radicalmente quando ele se encontra com o mago Gandalf na frente de sua toca, n’A Colina, e o chama para tomar um chá na tarde do dia seguinte. O mago não apenas comparece, mas trás consigo treze anões: Dwalin, Balin, Kili, Fili, Dori, Nori, Ori, Oin, Gloin, Bifur, Bofur, Bombur e Thorin.

Muita conversa, música e comilança se passam enquanto o respeitável hobbit observa estupefato. Então, finalmente, Thorin explica ao Sr. Bolseiro que seu avô, Thror, fora chamado de Rei sob a Montanha e possuía grande riqueza e estima entre anões e homens. Mas um dragão especialmente ganancioso chamado Smaug, atraído pela famosa fortuna, saqueou os salões de Thror e matou todos que se encontravam dentro.

Por sugestão de Gandalf, os anões estavam contratando o hobbit como ladrão para ajudá-los a derrotar Smaug e resgatar seu ouro, em troca da décima quarta parte do tesouro.

Apesar de ser um respeitável hobbit muitíssimo respeitável, Bilbo Bolseiro se vê atraído pela ideia da aventura e parte junto aos anões e ao mago.

Meu sentimento, ao ler esse livro, é o sentimento que eu tenho ao assistir uma das animações da Disney ou ao ler um clássico conto de fadas infantil. Ele é mágico, belo, sincero e musical! E essa semelhança não é acidental, pois o que Tolkien procurou criar, ao escrever O Hobbit, foi um conto escrito diretamente para o publico infantil.

Como tudo que o autor escreve, este livro possui um ambiente quase palpável. Ainda que o Tolkien não seja tão descritivo quanto em suas outras obras, ler O Hobbit envolve sentir a magia do mundo criado pelo autor fluir através das palavras.

É lindo e mágico.

Segue o trailer do primeiro filme do que será a  trilogia d’O Hobbit, que estreará no dia 14 de dezembro. Ele será dirigido pelo Peter Jackson, que já adaptou brilhantemente a trilogia O Senhor dos Anéis, do mesmo autor.

Especial: O Ciclo da Herança

Caros leitores do meu blog,

Nas próximas semanas, postarei aqui neste blog as resenhas dos quatro volumes do Ciclo da Herança, escrito por Chistopher Paolini. Também farei um pequeno apanhado de citações que me chamaram a atenção ao longo da série e apresentarei a vocês alguns dos personagens mais importantes da série.

Hoje, vou postar a resenha do primeiro volume da série, Eragon.

Abraços e nos vemos lá!

[Fanmix] Battlefield

Contracapa

01. After the Fall – Trans-Siberian Orchestra (Morte da Ariana) Letra/Tradução YouTube
You can live your life in a thousand ways
But it all comes down to that single day
When you realize what you regret
What you can’t reclaim but you can’t forget
(Você pode viver sua vida de milhares maneiras/Mas tudo vem à tona naquele único dia/No qual você se dá conta do que se arrepende/Do que você não pode recuperar, mas não pode esquecer)

02. Knightrider of Doom – Rhapsody of Fire (Batalha contra Grindelwald) Letra/Tradução YouTube
In this bloody dawn
I will wash my soul
To call the spirit of vengeance
To deny my wisdom for anger
To break the scream of the silent fool
And to be the son of doom
(Neste amanhecer sangrento/Vou lavar minha alma/Chamar o espírito de vingança/Para negar minha sabedoria por raiva/Para quebrar o grito do tolo silencioso/E, para ser o filho de castigo)

03. All That I Live For – Evanescence (Declaração ao Grindelwald) Letra/Tradução YouTube
Guess I thought I’d have to change the world
To make you see me
To be the one
I could have run forever
But how far would I have come
Without mourning your love?
(Achava que tinha que mudar o mundo/Para fazer você me ver/Para ser o único/Eu poderia correr para sempre/Mas até onde eu teria chegado/Sem lamentar pelo seu amor?)

04. Sensorium – Epica (Entre Grindelwald e Voldemort) Letra/Tradução YouTube
Being consciousness is a torment
The more we learn is the less we get
Every answer contains a new quest
A quest to non existence, a journey with no end
(Ser consciente é um tormento/Por mais que aprendamos, somos menos do que poderíamos ser/Toda resposta tem uma nova questão/Uma questão para uma não-existência, uma jornada sem fim)

05. The Power of One – Sonata Arctica (Convicções que tinha durante a guerra contra Voldemort) Letra/Tradução YouTube
No one was born to be a servant or a slave
Who can tell me the color of the rain?
In the world that we live in, the things said and done
They can well overrun
the power of one
(Ninguém nasceu para ser um servo ou escravo/Quem pode me dizer a cor da chuva?/No mundo em que vivemos, as coisas ditas e feita/Podem muito bem ultrapassar/O poder de um)

06. Sleeping Sun – Nightwish (Sobre a própria morte) Letra/Tradução YouTube
Sorrow has a human heart
From my god it will depart
I’d sail before a thousand moons
Never finding where to go
(Sofrimento, é o que tem em um coração humano/De meu deus eu irei me despedir/Eu velejei na presença de mil luas/Nunca achando para onde ir)

07. Battlefield – Blind Guardian (Ao Harry) Letra/Tradução YouTube
They’re getting closer now
Open your eyes
Wake up my dear young friend
And hate shall fade away
(Estão se aproximando agora/Abra seus olhos/Acorde meu caro e jovem amigo/E o ódio acabará)

Bônus Instrumental:
01. Toccata – Trans-Siberian Orchestra (Dumbledore vs. Grindelwald) YouTube
02. Wizards in Winter – Trans-Siberian Orchestra (Dumbledore vs. Voldemort) YouTube
03. A Mad Russian’s Christmas – Trans-Siberian Orchestra (Humor/Drama – sobre o Dumbledore) YouTube

O Conto dos Três Irmãos

É válido lembrar que esse conto pertence ao livro “Os Contos de Beedle, o Bardo”, escrito pela J. K. Rowling.

Era uma vez três irmãos que estavam viajando por uma estrada deserta e tortuosa ao anoitecer. Depois de algum tempo, os irmãos chegaram a um rio fundo demais para vadear e perigoso de­mais para atravessar a nado. Os irmãos, porém, eram versados em magia, então simplesmente agitaram as mãos e fizeram aparecer uma ponte sobre as águas traiçoeiras. Já estavam na metade da travessia quando viram o caminho bloqueado por um vulto encapuzado.

E a Morte falou. Estava zangada por terem lhe roubado três vítimas, porque o normal era os viajantes se afogarem no rio. Mas a Morte foi astuta. Fingiu cumprimentar os três irmãos por sua magia e disse que cada um ganharia um prêmio por ter sido inteligente o bastante para lhe escapar.

Então, o irmão mais velho, que era um homem combativo, pediu a varinha mais poderosa que exis­tisse: uma varinha que sempre vencesse os duelos para seu dono, uma varinha digna de um bruxo que derrotara a Morte! Ela atravessou a ponte e se dirigiu a um vetusto sabugueiro na margem do rio, fabricou uma varinha de um galho da árvore e entregou-a ao irmão mais velho.

Então, o segundo irmão, que era um homem arrogante, resolveu humilhar ainda mais a Morte e pediu o poder de restituir a vida aos que ela le­vara. Então a Morte apanhou uma pedra da mar­gem do rio e entregou-a ao segundo irmão, dizen­do-lhe que a pedra tinha o poder de ressuscitar os mortos.

Então, a Morte perguntou ao terceiro e mais moço dos irmãos o que queria. O mais moço era o mais humilde e também o mais sábio dos ir­mãos, e não confiou na Morte. Pediu, então, algo que lhe permitisse sair daquele lugar sem ser se­guido por ela. E a Morte, de má vontade, lhe en­tregou a própria Capa da Invisibilidade.

Então, a Morte se afastou para um lado e deixou os três irmãos continuarem viagem e foi o que eles fizeram, comentando, assombrados, a aventura que tinham vivido e admirando os presentes da Morte.

No devido tempo, os irmãos se separaram, cada um tomou um destino diferente.

O primeiro irmão viajou uma semana ou mais e, ao chegar a uma aldeia distante, procurou um colega bruxo com quem tivera uma briga. Arma­do com a varinha de sabugueiro, a Varinha das Varinhas, ele não poderia deixar de vencer o due­lo que se seguiu. Deixando o inimigo morto no chão, o irmão mais velho dirigiu-se a uma estala­gem, onde se gabou, em altas vozes, da poderosa varinha que arrebatara da própria Morte, e de que a arma o tornava invencível.

Na mesma noite, outro bruxo aproximou-se sor­rateiramente do irmão mais velho enquanto dor­mia em sua cama, embriagado pelo vinho. O ladrão levou a varinha e, para se garantir, cortou a garganta do irmão mais velho.

Assim, a Morte levou o primeiro irmão.

Entrementes, o segundo irmão viajou para a própria casa, onde vivia sozinho. Ali, tomou a pe­dra que tinha o poder de ressuscitar os mortos e virou-a três vezes na mão. Para sua surpresa e ale­gria, a figura de uma moça que tivera esperança de desposar antes de sua morte precoce surgiu ins­tantaneamente diante dele.

Contudo, ela estava triste e fria, como que sepa­rada dele por um véu. Embora tivesse retornado ao mundo dos mortais, seu lugar não era ali, e ela sofria. Diante disso, o segundo irmão, enlouquecido pelo desesperado desejo, matou-se para poder verdadeiramente se unir a ela.

Assim, a Morte levou o segundo irmão.

Embora a Morte procurasse o terceiro irmão du­rante muitos anos, jamais conseguiu encontrá-lo. Somente quando atingiu uma idade avançada foi que o irmão mais moço despiu a Capa da Invisibilidade e deu-a de presente ao filho. Acolheu, então, a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e, iguais, partiram desta vida.

Segue vídeo referente a esse conto presente no filme: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Resenha: O Diário de um Banana

Ao contrário dos livros que venho indicando neste blog, O Diário de um Banana, de Jeff Kinney, não é um livro de fantasia, recheado de criaturas fantásticas e elementos sobrenaturais. Ele pretende, na realidade, relatar a vida diária de Gregory Heffley, um garoto que se vê repentinamente jogado no ensino fundamental.

Greg, como é mais conhecido, tem grandes aspirações: ele deseja ser muito famoso e reconhecido – ainda que não saiba ao certo por quê. Acredita que uma boa forma de começar é sendo bastante popular no ensino fundamental e entrando com destaque no anuário.

Mas, para Greg, há um grande empecilho em seu caminho para a fama: seu melhor amigo, Rowley Jefferson.  Muito mais infantil e inocente que o amigo, Rowley tem o costume de cometer pequenas gafes sociais que causam grande vergonha em Greg. Certa vez, por exemplo, ele o chama em alta voz para “brincar” depois da aula; o outro retruca: “você tem que dizer ‘dar um tempo’, não ‘brincar’”.

Descobrimos, ao longo da série, que esta personagem principal não é o típico herói, ele possui defeitos, como arrogância e orgulho, que o levam a cometer atos de injustiça – principalmente com Rowley.

O Diário de um Banana é um livro infantil, como se pode perceber pelo enredo, mas pode ser lido e apreciado por pessoas de diversas idades. Greg é um personagem carismático, que expressa suas emoções de forma engraçada com desenhos e palavras. É difícil não se identificar com a história, pois a personagem passa por todas as situações que envolvem a passagem da infância para a adolescência.

Na capa, diz-se que este é “um romance em quadrinhos” por causa dos diversos desenhos que, supostamente, foram feitos pela personagem em seu próprio diário. Não se deve pensar, entretanto, que se trata de uma história em quadrinhos, sendo mais possível afirmar que este se trada de um livro recheado de ilustrações.

Particularmente, eu achei o livro bastante interessante. É extremamente rico para crianças e muito nostálgico para os leitores mais velhos, além de ser extremamente divertido.

A série conta, atualmente, com seis livros, dentre os quais cinco já foram publicados pela editora V&R, e três extras, dos quais apenas um, “O Diário de um Banana: Faça você mesmo”, foi publicado.

Também foram lançados três filmes sobre os três primeiros livros da série. Foram excelentes adaptações, portanto, eu recomendo bastante também.

Resenha: Crepúsculo

Crítica: Crepúsculo

Crepúsculo é uma série de livros que tem trazido enormes discussões na atualidade. E, para o espanto de muitos, adolescentes e jovens adultos, que cresceram lendo Harry Potter, As Crônicas de Nárnia e Senhor dos Anéis, dentre muitas outras séries de fantasia, são os maiores críticos.

Há algum tempo, eu venho sendo uma dessas pessoas. Há cerca de dois anos, fiz uma infeliz tentativa de ler o livro antes de ver os filmes (como tenho feito com todas as adaptações que busco conhecer). Acostumada com o humor algo sarcástico da autora Meg Cabot (O Diário da Princesa), Crepúsculo foi um choque para mim. Li metade do primeiro livro antes de me resignar ao fato que Stephenie Meyer não tem o mesmo talento que Cabot para criar protagonistas que, ao mesmo tempo, são excelentes narradores. Então, abandonei.

Entretanto, como o último filme está para ser lançado em pouco tempo, resolvi fazer uma nova tentativa de ler os livros, porque, como todo fã de Harry Potter, sei que os filmes raramente são tão bons quanto os livros. E também sei que alguns livros muitas vezes começam entediantes, mas ficam melhores no decorrer do enredo. Portanto, estou aqui para falar da série Crepúsculo após ler os quatro livros da série e assistir os primeiros quatro filmes, em uma tentativa de fazer uma crítica imparcial dos livros.

Crepúsculo começa com a mudança da jovem Bella Swan para a casa do pai, que vivia em Forks, uma cidade onde o sol apenas raramente aparecia. Logo que somos apresentados à Bella, percebemos o potencial de protagonista que ela possui: uma jovem adolescente com uma idéia imatura a respeito de como fazer o bem às pessoas que ela ama, mas com coragem e determinação para realizar grandes feitos. Portanto, nos é apresentada uma protagonista com um potencial de crescimento.

Muito bem. Em Forks, Bella se encontra pela primeira vez com Edward Cullen e seus irmãos. A jovem fica obcecada com a família e, muito especialmente, com o comportamento estranho de Edward. Eles lentamente se aproximam: Edward, incapaz de se afastar de Bella, e a garota, cada vez mais intrigada a respeito do rapaz. Eles acabam por descobrir que estão apaixonados um pelo outro e é nesse momento que Bella finalmente descobre a verdadeira identidade de Edward: ele é um vampiro.

Edward nos é apresentado sob o ponto de vista de Bella, portanto, é necessário perceber que é o ponto de vista de uma jovem adolescente apaixonada a respeito do seu namorado. Por isso, é possível perdoar alguns aspectos da descrição física e psicológica dele. Outro, nem tanto (por vezes, parece que a própria autora se apaixona pelo personagem que criou).

Há um terceiro personagem que vale a pena ser mencionado: Jacob. Bella o conhece como irmão de duas amigas de infância. Então, ele é um jovem, pertencente a comunidade indígena local, alegre que vive despreocupadamente. Em determinado momento, Bella se aproxima de Jacob, e é então que descobre a verdade a respeito dos lobisomens, um grupo de rapazes da tribo que podem se transformar livremente em lobos. Jacob se torna um deles e, do rapaz alegre e despreocupado, torna-se mais fechado e rancoroso.

Os quatro livros da série, narrados pela própria protagonista, contam a história de amor entre o triângulo amoroso: Jacob e Edward apaixonados pela protagonista. Com todos os problemas “naturais” e sobrenaturais que possam existir.

O primeiro grande problema é que Bella, com todo o seu potencial, não amadurece seu senso de justiça. Na realidade, ao longo da série, a protagonista parece regredir em termos de maturidade, na medida em que seu relacionamento com Edward vai se aprofundando. Portanto, a história vai ficando mais infantil e os ideais da Bella, os quais moldam suas atitudes, se tornam cada vez mais imaturos.

Corajosa e determinada – como era desde o início da série –, ela faz acontecer tudo que deseja. Os ideais e atitudes da Bella passam a envolver absolutamente todas as personagens que a cercam. Entretanto, como a personagem não evolui, o livro passa a se tornar enfadonho e, quando a imaturidade começa a envolver personagens adultos, que muitas vezes julgam a atitude dela incorreta, mas não tem força ou determinação para contê-la, isso se torna alarmante.

É chato perceber momentos em que o pai dela está certo e ela o trata como se fosse um ciumento, um chato. Típica adolescente, é compreensível que a protagonista se sinta assim. O que me incomoda de fato é que não se tenta passar a idéia de que a Bella está errada em pensar dessa forma.

O que nos leva ao segundo grande problema: Meyer parece se esquecer que escreve para pré-adolescentes e adolescentes, ela passa exatamente o ponto de vista da Bella sem se importar em dizer se ela está certa ou não.

O grande exemplo que gosto de dar é quando o Edward termina com ela. Bella pára de viver, ela se desliga do mundo e perde quase todos os amigos. Em momento algum, nos três livros que se seguem ao acontecimento, a autora mostra que a protagonista estava errada. Muito pelo contrário, ela mostra que foi uma atitude que não poderia ter sido evitada.

Qualquer jovem adulto maduro sabe que isso é ridículo, mas e os pré-adolescentes que estão começando a vida amorosa agora? A um público tão jovem, que está formando seu caráter e sua personalidade, será sensato mostrar tais ideais e deixá-los tirar as próprias conclusões?

Essa série carece dos belos ideais aos quais os fãs de Harry Potter estão acostumados, os poucos que se apresentam, como coragem e determinação, estão submetidos a um ideal maior: estar com a pessoa a qual você está predestinado, o príncipe encantado ou princesa encantada.

Portanto, voltando ao problema do enredo. Temos uma história contada por uma protagonista adolescente, que carece de um crescimento mental e psíquico ao longo da série e é cercada por um mundo de ideais ridículos. Não sei se preciso dizer que a história dela se tornou ridícula.

Entretanto, devo dizer que algumas coisas me surpreenderam. A primeira foi o Edward Cullen, que no filme é totalmente passivo na relação com a protagonista; sua falta de atitude nos leva a crer que ele não a quer. No livro, Edward é um pouco mais ativo, mas, o mais importante é que ele demonstra querer estar com a namorada humana.

Os personagens secundários, os demais membros da família Cullen e os lobisomens que mais aparecem (Jacob, Sam, Seth e Leah), tem uma história bastante interessante e são personagens muito bem feitos, mas não suficientemente trabalhados. Muitas vezes, fico pensando que, sob o ponto de vista de qualquer outro dos personagens, a história ficaria bem melhor. Inclusive, a melhor parte dos livros é narrada pelo Jacob.

Quero fechar essa crítica sugerindo a todos os jovens críticos que ainda não leram os livros que os leiam. Há muito de legal ali que os filmes não mostraram. E, por favor, ignorem os ideais ridículos de uma autora de quase quarenta anos de idade que ainda está vivendo a pré-adolescência.

A Jornada do Herói

Hoje, vivemos um momento de grande ascensão da assim chamada literatura infanto-juvenil. Com isso, somos constantemente apresentados a novos jovens heróis, como o bruxo Harry Potter, o semideus Percy Jackson, o gênio do crime Artemis Fowl e o cavaleiro de dragões Eragon Bromsson.

Harry Potter

A curiosidade dos fãs dessas séries os chama, também, a ler antigos clássicos que muito se assemelham às novidades da literatura do século XXI.

Alguns buscam as aventuras da Mitologia Grega, as lendas do rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, e alguns se voltam para literatura do início do século passado, representada principalmente por J. R. R. Tolkien, em O Senhor dos Anéis, e C. S. Lewis, em As Crônicas de Nárnia.

Porque as pessoas, independentemente de sua idade, sexo, origem e classe social, buscam esses heróis? O que os torna atemporais? O estudioso norte-americano David Leeming (2003) responde que:

“Individual e culturalmente, e também como espécie, perguntamo-nos sobre nossas origens, sobre a importância de nosso momento atual, e pensamos continuamente no futuro. Temos sempre consciência do caráter de jornada de nossa vida. É por isso que os adultos sempre contaram histórias às crianças para descrever essa jornada, e os líderes também as contam a seus povos pelas mesmas razões.” (p. 10)

Em um diálogo entre o herói Percy Jackson e seu mestre, o centauro Quíron, Rick Riordan(2009) expõe a sua resposta. Segundo ele, o herói

Percy Jackson

“transporta as esperanças da humanidade para a esfera do eterno. Os monstros nunca morrem. Eles renascem do caos e do barbarismo que sempre fermentam embaixo da civilização, o próprio material que torna Cronos mais forte. Precisam ser derrotados de novo, e de novo, mantidos encurralados. Os heróis personificam essa luta. Você enfrenta as batalhas que a humanidade precisa vencer, a cada geração, a fim de continuar sendo humana.” (p. 259-260)

Em 1949, o estudioso norte-americano Joseph Campbell publicou o livro O Herói de Mil Faces, no qual introduziu o termo monomito, ou “jornada do herói”. A “jornada” que Riordan e Leeming apresentam aos seus leitores fora explicada então de forma esquemática, que mostra que continuamos a nos identificar com esses heróis porque eles são, até certo ponto, parecidos.

O monomito está dividido em três partes: a partida, a iniciação e o retorno; estas partes estão subdivididas em doze estágios. Portanto, eles são:

    1. O Mundo Comum: no qual é apresentado o mundo em que o herói vive antes de sua história começar;
    2. O Chamado à Aventura: algo quebra a rotina do herói;
    3. A Recusa do Chamado: o herói se recusa a aceitar o chamado;
    4. O Auxílio Sobrenatural: o herói se encontra com um mentor, que o faz aceitar o chamado e o prepara;
    5. A Passagem pelo Primeiro Limiar: o herói abandona o seu mundo e passa para um mundo distinto, o que pode ocorrer por vontade própria ou ele pode ser obrigado;
    6. O Ventre da Baleia: o herói passa a viver no mundo especial e aprende sobre ele. Lá enfrenta desafios e inimigos, e recebe a ajuda de aliados.
    7. Aproximação: se aproxima o objetivo final da missão do herói;
    8. Provação Máxima: o momento de maior tensão e crise da aventura;
    9. Recompensa: como o nome diz, o herói tem êxito e conquista uma recompensa;
    10. Caminho de Volta: o herói retorna ao seu mundo comum;
    11. Ressurreição do Herói: neste momento, o herói tem que enfrentar uma nova provação ligada à morte, na qual ele terá que usar tudo que aprendeu;
    12. Regresso com o Elixir: é o fim da história, no qual o herói retorna ao seu mundo, mas transformado.

Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda

Albert P. Dahoui lembra que essa jornada nem sempre é apresentada da mesma forma, nem toda jornada precisa necessariamente responder a esse modelo e, mesmo as que respondem, nem sempre contém todas as etapas. Entretanto, percebemos algumas dessas fases em todas as histórias aqui citadas.

Harry Potter e Percy Jackson apresentam esse ciclo em cada um de seus respectivos livros e durante toda a aventura simultaneamente.

Os irmãos Pevensie, em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, tem uma jornada que só é concluída no último livro da série, A Última Batalha; ainda que a conclusão fuja um pouco do esquema de Campbell (não contarei para não estragar a surpresa de quem leu ainda).

Aragorn e Frodo, em O Senhor dos Anéis, devem desempenhar os papéis de heróis; cada um com o seu objetivo, cada um com a sua jornada. Entretanto, a mesma história.

E, por fim, os mitos gregos aos quais o próprio Campbell remete, e o ciclo arturiano.

Diferenças à parte, todos tratam a respeito de heróis que, como Riordan (2009) sabiamente descreveu, transportam “as esperanças da humanidade para a esfera do eterno” (p. 259).

Por fim, deixo meu vídeo sobre o Merlin e suas figuras hoje em dia, feito para a disciplina “História das Civilizações no Medievo” em 2010:

Link: 

Wikipédia

Fontes:

CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Pensamento, 1995.

DAHOUI, Albert Paul. A Jornada do Herói. Disponível em: <http://www.roteirodecinema.com.br/manuais.htm&gt;.

LEEMING, David. Do Olimpo a Camelot: Um panorama da mitologia européia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

RIORDAN, Rick. O Mar de Monstros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2009.


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