Especial: As Minhas Dez Séries Favoritas [Parte II]

Finalizando a lista das minhas dez séries favoritas. Confesso, foi difícil definir a ordem certa dos livros para a segunda, a terceira e a quarta posições, ainda não estou muito certa porque gosto muito mesmo dessas séries.

5. Boudica, Manda Scott

Este é um dos muitos livros que encontrei nas minhas horas vagas atrás das estantes das livrarias. Boudica me chamou a atenção por causa do título. Todos que bem me conhecem sabem que sou fissurada pelos povos celtas e Boudica acaba por ser a minha personagem histórica favorita de todos os tempos.

Enfim, eu comprei o primeiro volume de Boudica após um pequeno passeio pelas prateleiras da Leitura do BH Shopping. Eu não podia comprar um livro tão caro, mas comprei mesmo assim e não me arrependi: poucos dias depois, já estava comprando o segundo e o terceiro volume. O quarto ainda não foi lançado no Brasil e estou esperando ansiosamente.

Muito bem, Boudica conta a história da jovem Breaca, princesa herdeira da tribo iceni, e Bán, seu meio-irmão. A primeira queria ser uma vidente iniciada nos mistérios e o segundo quer se tornar um grande guerreiro. Entretanto, de certa forma, os papéis se invertem, Breaca é quem tem grande vocação para guerreira e Bán possui um poderoso dom espiritual.

Manda Scott faz uma ficção histórica semelhante à de Christian Jacq em um aspecto: não há preocupação muito grande com datas e fatos, ainda que a autora pareça narrar com muita precisão os costumes celtas. Uma coisa que adoro ressaltar é que essa autora é, também, veterinária. O espaço que ela dá aos animais nessa série é praticamente inédito a meu ver, adoro a descrição que ela faz sobre eles e o tratamento que os humanos dispensam a eles!

Além do mais, Breaca e Bán são personagens maravilhosos e apaixonantes.

O livro conta com quatro volumes:

1.      Águia
2.      Touro
3.      Cão
4.      Lança-Serpente

 

4. A Espada da Verdade, Terry Goodkind

Essa foi, sem dúvida, a série mais difícil de colocar em alguma posição. Se não fosse o grande amor que sinto pelas três que estão na frente desta, acho que ela teria ficado talvez em segundo ou terceiro lugar.

Optei pela quarta colocação por uma razão muito simples: eu li apenas cinco dos treze livros que compõe a série. Nos oito livros restantes, muita coisa pode mudar.

Muito bem, primeira coisa que eu quero dizer sobre A Espada da Verdade. Esta é uma série que tentaram publicar no Brasil, mas não houve muitas vendas, portanto, só há um livro em português, A Primeira Regra do Mago. Eu li os livros em ebooks que estão sendo traduzidos por fãs, mas pretendo comprar todos em inglês quando tiver dinheiro.

Agora, falando a respeito da história em si. Tudo começa quando, certo dia, enquanto caminhava pela floresta, o guia Richard Cypher encontra uma jovem mulher sendo perseguida por quatro homens fortemente armados. O rapaz a ajuda e descobre que seu nome é Kahlan Amnel e que ela estava procurando alguém muito importante.

Juntos, eles seguem para a casa do melhor amigo de Richard, o velho Zedd, que ele afirma ser a única pessoa que provavelmente poderia ajudá-la. Ao chegar lá, entretanto, Richard tem muitas surpresas: ele descobre que, anteriormente, seu amigo Zedd fora um dos magos mais poderosos do mundo conhecido. Kahlan quer que o homem nomeie um Seeker of Truth [tradução: buscador da verdade], um herói cuja missão é buscar a verdade e fazê-la prevalecer.

Zedd acaba por nomear Richard um Seeker ao lhe entregar a Espada da Verdade. Juntos, os três partem para uma missão para destruir o tirano Darken Rahl e restaurar a paz.

Parece uma história simples, mas não é tanto assim. Richard é um dos personagens mais maravilhosos que tive o prazer de conhecer, minha adoração por ele beira a adoração que sinto por muitos personagens com quem eu cresci. Kahlan é… Kahlan. Não há ninguém como ela, se um dia eu estive próxima de me apaixonar por uma personagem de ficção, esta personagem é a Kahlan! E Zedd é ótimo: sarcástico, comelão e sábio. Ele é indiscutivelmente o mentor, um poderoso e sábio mentor. Isso fora as personagens que surgem nos livros seguintes.

É perfeita e passa lições lindas sobre praticamente tudo: amor, amizade, poder, ira, união, tirania; tudo! Eu sou apaixonada por essa série, de verdade, e ainda não entendo porque não fez sucesso aqui.

São treze livros:

1.      Debt of Bones
2.      Wizard’s First Rule [Primeira Regra do Mago]
3.      Stone of Tears
4.      Blood of the Fold
5.      Temple of the Winds
6.      Soul of the Fire
7.      Faith of the Fallen
8.      The Pillars of Creation
9.      Naked Empire
10.    Chainfire  
11.     Phantom
12.    Confessor
13.    The Omen Machine

3. Avalon, Marion Zimmer Bradley

Os livros mais famosos dessa série são As Brumas de Avalon, e foi por eles que eu conheci a Marion Zimmer Bradley e a série Avalon. Mas, sinceramente, se eu fosse eleger o melhor livro da série, nenhum dos quatro livros que compõe As Brumas de Avalon seria ele.

A apenas um personagem recorrente nessa série: a ilha de Avalon. Ela não aparece em todos os livros, mas é a história dela que a autora pretende contar nessa série. Sim, a mesmíssima ilha para onde, diz-se, o rei Artur teria ido repousar quando foi derrotado por Mordred.

Brumas de Avalon trata realmente da história do rei Artur, mas sob a ótica das mulheres que aparecem na lenda. Os outros livros, entretanto, sequer mencionam Artur e seus cavaleiros [à exceção de alguns pequenos trechos, A Senhora de Avalon].

A série conta também com alguns personagens recorrentes, mas eles surgem e ressurgem em reencarnações diversas e uma das grandes diversões dos fãs da série é descobrir quem é quem em cada um dos livros. Como algumas reencarnações são mencionadas, outras ainda podem ser deduzidas.

Tenho um carinho especial por essa série. Ela não trás temas de reflexão como a série Darkover, da qual eu já falei, mas tem é muito sensível a certos aspectos da cultura celta, pela qual eu tenho grande admiração.

São onze livros traduzidos para o português:

1.       A Queda de Atlântida: Teia de Luz
2.      A Queda de Atlântida: Teia de Trevas
3.      Os Ancestrais de Avalon
4.      Os Corvos de Avalon
5.      A Casa da Floresta
6.      A Senhora de Avalon
7.      A Sacerdotisa de Avalon
8.      As Brumas de Avalon: A Senhora da Magia
9.      As Brumas de Avalon: A Grande-Rainha
10.    As Brumas de Avalon: O Gamo-Rei
11.     As Brumas de Avalon: O Prisioneiro da Árvore

 

2. Percy Jackson e os Olimpianos, Rick Riordan

O engraçado sobre essa série é o fato de que eu a li muito relutante. Havia ouvido falar muito sobre ela por bastante tempo, mas sempre tive medo de ler: adaptações da mitologia grega à cultura popular sempre foram grandes decepções.

Mas o Rick tem grande domínio da mitologia grega e soube adaptá-la perfeitamente aos dias atuais. Além do mais, Percy Jackson é um excelente personagem principal e, o que falta nele, é encontrado em seus dois primeiros companheiros: Grover Underwood e Annabeth Chase.

Li O Ladrão de Raios um dia antes de ir ver o filme. Foi uma leitura rápida como eu não fazia desde Harry Potter. No começo, é confuso e não entendemos perfeitamente o que está acontecendo, porque o próprio personagem principal se sente assim, mas depois descobrimos: Percy não é uma pessoa comum, ele é filho do deus dos mares, Poseidon, e está sendo acusado de roubar o raio mestre de Zeus.

Em minha opinião, O Mar de Monstros, o segundo volume, é o mais fraco dos livros. Tyson, o novo companheiro de Percy e Annabeth, é ótimo, mas algo se perde. Por outro lado, a série ganha os pontos perdidos em O Mar de Monstros no terceiro volume, A Maldição do Titã, e, a partir daí, a série fica cada vez mais emocionante até atingir seu fim.

Qualquer apaixonado adulto que conheça crianças tem a obrigação indicar esta série. É engraçada, emocionante e muito instrutiva.

A série é composta por cinco volumes:

1.      O Ladrão de Raios
2.      O Mar de Monstros
3.      A Maldição do Titã
4.      A Batalha do Labirinto
5.      O Último Olimpiano

1. Harry Potter, J. K. Rowling

O não tão aguardado primeiro lugar. Óbvio, Harry Potter. O livro dispensa qualquer comentário, quem não leu até hoje está absurdamente desatualizado em termos de literatura.

Esta é, sem dúvida, a série de livros mais importante da atualidade. Não apenas é uma literatura de qualidade [o que pode ser até discutível], mas também porque são os primeiros livros publicados que realmente faziam as crianças largarem os videogames e a televisão para se debruçar sobre as páginas de um livro e mergulhar por horas.

Contra todas as expectativas da época [é sabido pelos fãs que J. K. Rowling foi rejeitada por várias editoras], Harry Potter é o livro de maior sucesso da atualidade.

Se você não leu, vai um pequeno resumo da história.

Harry Potter é um menino que vive oprimido pelos tios e pelo primo desde a morte de seus pais, quando ele tinha apenas um ano de idade. Repentinamente, em seu aniversário de onze anos, um gigante chamado Rúbeo Hagrid e lhe entrega uma carta convidando-o a ingressar Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Harry descobre, então, que é um bruxo e que seus pais, contrariamente ao que lhe fora dito pelos seus tios, haviam sido assassinados pelo mais poderoso bruxo das trevas do século XX, Lord Voldemort. O garoto havia sobrevivido ao ataque e aleijado, de alguma forma, o bruxo, que desaparecera; isso o tornara famoso entre os bruxos.

Isso é apenas um resumo dos primeiros capítulos do primeiro livro. Se você não a leu, leia. Tudo o que eu posso dizer a favor da série só faria obscurecer o verdadeiro valor que ela possui, portanto, fica só a dica.

1.      Harry Potter e a Pedra Filosofal
2.     Harry Potter e a Câmara Secreta
3.     Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
4.     Harry Potter e o Cálice de Fogo
5.     Harry Potter e a Ordem da Fênix
6.     Harry Potter e o Enigma do Príncipe
7.     Harry Potter e as Relíquias da Morte

Terminado o post. Eu recomendo a leitura de todas as séries! Em breve, a resenha do The Mark of Athena.

Anúncios

[Fanmix] Battlefield

Contracapa

01. After the Fall – Trans-Siberian Orchestra (Morte da Ariana) Letra/Tradução YouTube
You can live your life in a thousand ways
But it all comes down to that single day
When you realize what you regret
What you can’t reclaim but you can’t forget
(Você pode viver sua vida de milhares maneiras/Mas tudo vem à tona naquele único dia/No qual você se dá conta do que se arrepende/Do que você não pode recuperar, mas não pode esquecer)

02. Knightrider of Doom – Rhapsody of Fire (Batalha contra Grindelwald) Letra/Tradução YouTube
In this bloody dawn
I will wash my soul
To call the spirit of vengeance
To deny my wisdom for anger
To break the scream of the silent fool
And to be the son of doom
(Neste amanhecer sangrento/Vou lavar minha alma/Chamar o espírito de vingança/Para negar minha sabedoria por raiva/Para quebrar o grito do tolo silencioso/E, para ser o filho de castigo)

03. All That I Live For – Evanescence (Declaração ao Grindelwald) Letra/Tradução YouTube
Guess I thought I’d have to change the world
To make you see me
To be the one
I could have run forever
But how far would I have come
Without mourning your love?
(Achava que tinha que mudar o mundo/Para fazer você me ver/Para ser o único/Eu poderia correr para sempre/Mas até onde eu teria chegado/Sem lamentar pelo seu amor?)

04. Sensorium – Epica (Entre Grindelwald e Voldemort) Letra/Tradução YouTube
Being consciousness is a torment
The more we learn is the less we get
Every answer contains a new quest
A quest to non existence, a journey with no end
(Ser consciente é um tormento/Por mais que aprendamos, somos menos do que poderíamos ser/Toda resposta tem uma nova questão/Uma questão para uma não-existência, uma jornada sem fim)

05. The Power of One – Sonata Arctica (Convicções que tinha durante a guerra contra Voldemort) Letra/Tradução YouTube
No one was born to be a servant or a slave
Who can tell me the color of the rain?
In the world that we live in, the things said and done
They can well overrun
the power of one
(Ninguém nasceu para ser um servo ou escravo/Quem pode me dizer a cor da chuva?/No mundo em que vivemos, as coisas ditas e feita/Podem muito bem ultrapassar/O poder de um)

06. Sleeping Sun – Nightwish (Sobre a própria morte) Letra/Tradução YouTube
Sorrow has a human heart
From my god it will depart
I’d sail before a thousand moons
Never finding where to go
(Sofrimento, é o que tem em um coração humano/De meu deus eu irei me despedir/Eu velejei na presença de mil luas/Nunca achando para onde ir)

07. Battlefield – Blind Guardian (Ao Harry) Letra/Tradução YouTube
They’re getting closer now
Open your eyes
Wake up my dear young friend
And hate shall fade away
(Estão se aproximando agora/Abra seus olhos/Acorde meu caro e jovem amigo/E o ódio acabará)

Bônus Instrumental:
01. Toccata – Trans-Siberian Orchestra (Dumbledore vs. Grindelwald) YouTube
02. Wizards in Winter – Trans-Siberian Orchestra (Dumbledore vs. Voldemort) YouTube
03. A Mad Russian’s Christmas – Trans-Siberian Orchestra (Humor/Drama – sobre o Dumbledore) YouTube

O Conto dos Três Irmãos

É válido lembrar que esse conto pertence ao livro “Os Contos de Beedle, o Bardo”, escrito pela J. K. Rowling.

Era uma vez três irmãos que estavam viajando por uma estrada deserta e tortuosa ao anoitecer. Depois de algum tempo, os irmãos chegaram a um rio fundo demais para vadear e perigoso de­mais para atravessar a nado. Os irmãos, porém, eram versados em magia, então simplesmente agitaram as mãos e fizeram aparecer uma ponte sobre as águas traiçoeiras. Já estavam na metade da travessia quando viram o caminho bloqueado por um vulto encapuzado.

E a Morte falou. Estava zangada por terem lhe roubado três vítimas, porque o normal era os viajantes se afogarem no rio. Mas a Morte foi astuta. Fingiu cumprimentar os três irmãos por sua magia e disse que cada um ganharia um prêmio por ter sido inteligente o bastante para lhe escapar.

Então, o irmão mais velho, que era um homem combativo, pediu a varinha mais poderosa que exis­tisse: uma varinha que sempre vencesse os duelos para seu dono, uma varinha digna de um bruxo que derrotara a Morte! Ela atravessou a ponte e se dirigiu a um vetusto sabugueiro na margem do rio, fabricou uma varinha de um galho da árvore e entregou-a ao irmão mais velho.

Então, o segundo irmão, que era um homem arrogante, resolveu humilhar ainda mais a Morte e pediu o poder de restituir a vida aos que ela le­vara. Então a Morte apanhou uma pedra da mar­gem do rio e entregou-a ao segundo irmão, dizen­do-lhe que a pedra tinha o poder de ressuscitar os mortos.

Então, a Morte perguntou ao terceiro e mais moço dos irmãos o que queria. O mais moço era o mais humilde e também o mais sábio dos ir­mãos, e não confiou na Morte. Pediu, então, algo que lhe permitisse sair daquele lugar sem ser se­guido por ela. E a Morte, de má vontade, lhe en­tregou a própria Capa da Invisibilidade.

Então, a Morte se afastou para um lado e deixou os três irmãos continuarem viagem e foi o que eles fizeram, comentando, assombrados, a aventura que tinham vivido e admirando os presentes da Morte.

No devido tempo, os irmãos se separaram, cada um tomou um destino diferente.

O primeiro irmão viajou uma semana ou mais e, ao chegar a uma aldeia distante, procurou um colega bruxo com quem tivera uma briga. Arma­do com a varinha de sabugueiro, a Varinha das Varinhas, ele não poderia deixar de vencer o due­lo que se seguiu. Deixando o inimigo morto no chão, o irmão mais velho dirigiu-se a uma estala­gem, onde se gabou, em altas vozes, da poderosa varinha que arrebatara da própria Morte, e de que a arma o tornava invencível.

Na mesma noite, outro bruxo aproximou-se sor­rateiramente do irmão mais velho enquanto dor­mia em sua cama, embriagado pelo vinho. O ladrão levou a varinha e, para se garantir, cortou a garganta do irmão mais velho.

Assim, a Morte levou o primeiro irmão.

Entrementes, o segundo irmão viajou para a própria casa, onde vivia sozinho. Ali, tomou a pe­dra que tinha o poder de ressuscitar os mortos e virou-a três vezes na mão. Para sua surpresa e ale­gria, a figura de uma moça que tivera esperança de desposar antes de sua morte precoce surgiu ins­tantaneamente diante dele.

Contudo, ela estava triste e fria, como que sepa­rada dele por um véu. Embora tivesse retornado ao mundo dos mortais, seu lugar não era ali, e ela sofria. Diante disso, o segundo irmão, enlouquecido pelo desesperado desejo, matou-se para poder verdadeiramente se unir a ela.

Assim, a Morte levou o segundo irmão.

Embora a Morte procurasse o terceiro irmão du­rante muitos anos, jamais conseguiu encontrá-lo. Somente quando atingiu uma idade avançada foi que o irmão mais moço despiu a Capa da Invisibilidade e deu-a de presente ao filho. Acolheu, então, a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e, iguais, partiram desta vida.

Segue vídeo referente a esse conto presente no filme: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Resenha: A Arma Escarlate

Hoje eu estou aqui para falar de um livro que venho ansiando ler há dois meses: A Arma Escarlate, de Renata Ventura. Finalmente, após alguma dificuldade de encontrá-lo nas livrarias locais, comprei. Li-o em dois dias.

Muito bem. A Arma Escarlate conta a história de um menino de treze anos de idade chamado Idá Aláàfin, de pseudônimo Hugo Escarlate. No ano de 1997, em meio a um tiroteio na favela em que mora, ele descobre que é um bruxo através de uma carta (entregue por um pombo) convidando-o para estudar na escola de bruxaria local. Jurado de morte pelos chefes do tráfico, o menino foge, rezando para que a carta seja verdadeira e o guie até a entrada do mundo secreto da magia.

Muitos vão se identificar certa semelhança com um famoso bruxinho inglês. De fato, elas são tantas que, logo no primeiro capítulo já fica muito claro que ocorre mais que uma inspiração. Antes mesmo do livro começar, Renata Ventura já esclarece:

Em uma entrevista com J.K. Rowling, autora da série Harry Potter, um fã norte-americano lhe perguntou se ela algum dia escreveria um livro sobre uma escola de bruxaria nos Estados Unidos. Ela respondeu que não, “… mas fique à vontade para escrever o seu”.

Sentindo-me autorizada pela própria Sra. Rowling, resolvi aceitar o desafio: Como seria uma escola de bruxaria no Brasil? Especificamente para este primeiro livro, como seria uma escola de bruxaria no Rio de Janeiro? (VENTURA, 2011)

Os fãs da série vão encontrar, no livro, muitas referências ao livro de J. K. Rowling. Os mais atentos vão notar que esse livro se passa exatamente quando Voldemort está no auge de seu poder, abrangendo o momento da morte do Dumbledore e o começo da caça pelas horcruxes. Há mais do que simples referências a esses fatos, mas não vou dizer muito para não estragar a surpresa.

Enfim, deixando Harry Potter de lado, vou falar um pouco sobre A Arma Escarlate.

Para um livro de fantasia, há uma preocupação excessiva em não pecar ao descrever a realidade do Rio de Janeiro no final da década de 1990. Há um encontro perfeito entre realidade e ficção que poucos autores de fantasia são capazes de criar.

A escola de magia (Nossa Senhora do Korkovado), pública, possui todos os problemas que são encontrados na maior parte das escolas brasileiras: pouca verba ou pouca vontade da direção (no caso o Conselho) em gastar a verba que tem contratando bons professores e melhorando a infra-estrutura do lugar. A personalidade de Hugo também é algo surpreendente realista, assim como a da maior parte dos personagens que o cercam.

Na minha opinião, o livro peca gravemente apenas em um sentido: a autora se preocupa tanto em retratar sotaques e gírias na fala das personagens que a leitura fica um pouco confusa para quem está distante da realidade carioca e mineira (que são os sotaques que mais aparecem). É claro que não impede a leitura, mas cria uma barreira para um leitor um pouco mais impaciente, o que, levando em conta que o livro é destinado a um público predominantemente infanto-juvenil, pode ser considerado um grave defeito.

Há algo mais que preciso dizer. O personagem Capí (apelido para Ítalo Twice Xavier) também me incomodou um pouco. Fã de Harry Potter, eu estou acostumada com personagens muito humanos, com características positivas e negativas. Capí me incomoda por não aparentar ter um equilíbrio dessas características: ele é um menino de dezesseis anos absolutamente responsável, inteligente e carismático, que, por mais provocado que seja, nunca entra em brigas. Parece-me demais para um adulto, muito mais para um jovem.

Mas, deixando os defeitos de lado, esse é um livro que merece ser lido. Renata Ventura fez um excelente trabalho ao transportar o universo da autora J. K. Rowling para o Brasil, inserindo-o na nossa realidade, que é tão distinta da inglesa. Ela também procura transmitir belos ideais, como o orgulho nacional, a não-violência e o combate às drogas e ao tráfico, ideais estes os quais as crianças e os adolescentes brasileiros parecem carecer. Na minha opinião, existem certos excessos, mas estes não são prejudiciais ao jovem leitor que está formando o seu caráter e também não tornam a leitura chata.

Sinceramente, eu adorei. É o livro adequado para todos os professores que querem despertar o interesse dos alunos para a leitura sem tirá-los da dura realidade brasileira, interessante para os fãs de Harry Potter que anseiam por mais um pedacinho do mundo bruxo e divertido o bastante para agradar adultos e crianças.

A Jornada do Herói

Hoje, vivemos um momento de grande ascensão da assim chamada literatura infanto-juvenil. Com isso, somos constantemente apresentados a novos jovens heróis, como o bruxo Harry Potter, o semideus Percy Jackson, o gênio do crime Artemis Fowl e o cavaleiro de dragões Eragon Bromsson.

Harry Potter

A curiosidade dos fãs dessas séries os chama, também, a ler antigos clássicos que muito se assemelham às novidades da literatura do século XXI.

Alguns buscam as aventuras da Mitologia Grega, as lendas do rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, e alguns se voltam para literatura do início do século passado, representada principalmente por J. R. R. Tolkien, em O Senhor dos Anéis, e C. S. Lewis, em As Crônicas de Nárnia.

Porque as pessoas, independentemente de sua idade, sexo, origem e classe social, buscam esses heróis? O que os torna atemporais? O estudioso norte-americano David Leeming (2003) responde que:

“Individual e culturalmente, e também como espécie, perguntamo-nos sobre nossas origens, sobre a importância de nosso momento atual, e pensamos continuamente no futuro. Temos sempre consciência do caráter de jornada de nossa vida. É por isso que os adultos sempre contaram histórias às crianças para descrever essa jornada, e os líderes também as contam a seus povos pelas mesmas razões.” (p. 10)

Em um diálogo entre o herói Percy Jackson e seu mestre, o centauro Quíron, Rick Riordan(2009) expõe a sua resposta. Segundo ele, o herói

Percy Jackson

“transporta as esperanças da humanidade para a esfera do eterno. Os monstros nunca morrem. Eles renascem do caos e do barbarismo que sempre fermentam embaixo da civilização, o próprio material que torna Cronos mais forte. Precisam ser derrotados de novo, e de novo, mantidos encurralados. Os heróis personificam essa luta. Você enfrenta as batalhas que a humanidade precisa vencer, a cada geração, a fim de continuar sendo humana.” (p. 259-260)

Em 1949, o estudioso norte-americano Joseph Campbell publicou o livro O Herói de Mil Faces, no qual introduziu o termo monomito, ou “jornada do herói”. A “jornada” que Riordan e Leeming apresentam aos seus leitores fora explicada então de forma esquemática, que mostra que continuamos a nos identificar com esses heróis porque eles são, até certo ponto, parecidos.

O monomito está dividido em três partes: a partida, a iniciação e o retorno; estas partes estão subdivididas em doze estágios. Portanto, eles são:

    1. O Mundo Comum: no qual é apresentado o mundo em que o herói vive antes de sua história começar;
    2. O Chamado à Aventura: algo quebra a rotina do herói;
    3. A Recusa do Chamado: o herói se recusa a aceitar o chamado;
    4. O Auxílio Sobrenatural: o herói se encontra com um mentor, que o faz aceitar o chamado e o prepara;
    5. A Passagem pelo Primeiro Limiar: o herói abandona o seu mundo e passa para um mundo distinto, o que pode ocorrer por vontade própria ou ele pode ser obrigado;
    6. O Ventre da Baleia: o herói passa a viver no mundo especial e aprende sobre ele. Lá enfrenta desafios e inimigos, e recebe a ajuda de aliados.
    7. Aproximação: se aproxima o objetivo final da missão do herói;
    8. Provação Máxima: o momento de maior tensão e crise da aventura;
    9. Recompensa: como o nome diz, o herói tem êxito e conquista uma recompensa;
    10. Caminho de Volta: o herói retorna ao seu mundo comum;
    11. Ressurreição do Herói: neste momento, o herói tem que enfrentar uma nova provação ligada à morte, na qual ele terá que usar tudo que aprendeu;
    12. Regresso com o Elixir: é o fim da história, no qual o herói retorna ao seu mundo, mas transformado.

Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda

Albert P. Dahoui lembra que essa jornada nem sempre é apresentada da mesma forma, nem toda jornada precisa necessariamente responder a esse modelo e, mesmo as que respondem, nem sempre contém todas as etapas. Entretanto, percebemos algumas dessas fases em todas as histórias aqui citadas.

Harry Potter e Percy Jackson apresentam esse ciclo em cada um de seus respectivos livros e durante toda a aventura simultaneamente.

Os irmãos Pevensie, em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, tem uma jornada que só é concluída no último livro da série, A Última Batalha; ainda que a conclusão fuja um pouco do esquema de Campbell (não contarei para não estragar a surpresa de quem leu ainda).

Aragorn e Frodo, em O Senhor dos Anéis, devem desempenhar os papéis de heróis; cada um com o seu objetivo, cada um com a sua jornada. Entretanto, a mesma história.

E, por fim, os mitos gregos aos quais o próprio Campbell remete, e o ciclo arturiano.

Diferenças à parte, todos tratam a respeito de heróis que, como Riordan (2009) sabiamente descreveu, transportam “as esperanças da humanidade para a esfera do eterno” (p. 259).

Por fim, deixo meu vídeo sobre o Merlin e suas figuras hoje em dia, feito para a disciplina “História das Civilizações no Medievo” em 2010:

Link: 

Wikipédia

Fontes:

CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Pensamento, 1995.

DAHOUI, Albert Paul. A Jornada do Herói. Disponível em: <http://www.roteirodecinema.com.br/manuais.htm&gt;.

LEEMING, David. Do Olimpo a Camelot: Um panorama da mitologia européia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

RIORDAN, Rick. O Mar de Monstros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2009.


Quotes: Albus Dumbledore

por Limone02

Segundo o Wikipédia:

Nos livros, Dumbledore é descrito como um feiticeiro clássico: alto e magro, idoso, mas sem demonstrar fraqueza, com longos cabelos branco-prateados e barba da mesma cor, suficientemente longos para prender no cinto, olhos azuis brilhantes, luminosos, cintilantes e penetrantes como se radiografassem as pessoas (…).

É dito também à cerca dele que é uma pessoa extremamente bondosa, sempre pronta a acreditar no melhor das pessoas. No entanto, é solitário, devido à sua superioridade em poder e em grandeza de espírito. Age sempre com grande elegância, educação e classe. Prima pelas boas maneiras e trata educadamente todos os que o rodeiam, sem distinção, amigos e inimigos da mesma forma: até mesmo o tenebroso Lord Voldemort é tratado calma e educadamente, como se este ainda fosse o seu jovem aluno.

Como este meu personagem favorito em toda a série e dono de frases muito fortes e verdadeiras, eu coloco, à seguir, um pequeno apanhado da sabedoria desse grande mestre.

“Não faz bem viver sonhando e se esquecer de viver, lembre-se.” (Harry Potter e a Pedra Filosofal)

“Para a mente bem estruturada, a morte é apenas a aventura grande seguinte.” (Harry Potter e a Pedra Filosofal)

“São nossas escolhas, Harry, que mostram o que realmente somos, muito mais do que nossas qualidades.” (Harry Potter e a Câmara Secreta)

“Amortecer a dor por algum tempo apenas a tornará pior quando você finalmente a sentir.” (Harry Potter e o Cálice de Fogo)

“Você atribui demasiada importância, como sempre fez, à chamada pureza do sangue! Você não consegue reconhecer que não faz diferença quem a pessoa é ao nascer, mas o que ela vai ser quando crescer.” (Harry Potter e o Cálice de Fogo)

“Estamos diante de tempos negros e difíceis. Logo, teremos que escolher entre o que é certo e o que é fácil.” (Harry Potter e o Cálice de Fogo – Filme)

“Os jovens não podem saber como os idosos pensam e sentem. Mas os velhos são culpados quando se esquecem do que era ser jovem.” (Harry Potter e a Ordem da Fênix)

“Erro como qualquer outro homem. De fato, sendo, perdoe-me, bem mais inteligente do que a maioria, os meus erros tendem a ser proporcionalmente maiores.” (Harry Potter e o Enigma do Príncipe)

“É o desconhecido que receamos quando olhamos para a morte e a escuridão, nada mais.” (Harry Potter e o Enigma do Príncipe)

“Não tenha piedade dos mortos, Harry. Tenha piedade dos vivos e, acima de tudo, daqueles que vivem sem amor.” (Harry Potter e as Relíquias da Morte)

“Claro que está acontecendo na sua mente, Harry, mas por que isso significaria que não é real?” (Harry Potter e as Relíquias da Morte)

Como Harry Potter mudou a minha vida

Há alguns meses tenho pensado em discursar sobre esse assunto, mas a falta de tempo me impediu. Entretanto, com o final evidente da série, eu preciso falar um pouco sobre Harry Potter. Escrevi esse texto para o Fórum 6v e quero reproduzi-lo por aqui também.

É um pouco difícil dizer como essa série mudou a minha vida, porque ela simplesmente é parte da minha vida. Eu li A Pedra Filosofal pela primeira vez com dez anos de idade e, desde então, venho crescendo e o Harry também. As experiências pelas quais ele passou me ensinaram valores, transformaram-me na pessoa que sou hoje. Como eu seria se nunca tivesse lido Harry Potter? Eu não consigo nem imaginar, de forma que nunca poderia responder como mudou a minha vida.

Eu era muito nova e não me lembro exatamente da primeira vez que li Harry Potter e a Pedra Filosofal; só sei que adorei cada um dos livros (menos do segundo e do quarto, mais do primeiro e do terceiro).

A única coisa que lembro é que deparei logo no primeiro capítulo com palavra “defronte” e perguntei a minha mãe o que significava aquilo; e também não sabia o que significava “broca”, mas não perguntei o que era a ninguém. E fico pensando no quanto as coisas mudaram, porque depois eu aprendi a olhar no dicionário e parei de perguntar ou deixar palavras passarem em branco. Hoje, o significado da palavra “defronte” não é nenhum mistério para mim, assim como muitas outras coisas e muitas outras palavras.

No meio tempo entre o lançamento do quarto e do quinto livros, eu reli Pedra Filosofal onze vezes e Prisioneiro de Azkaban treze vezes. Eu terminava de ler um livro e partia para o outro; lia dois ou três livros ao mesmo tempo, dentre os quais sempre estava Harry Potter. A Câmara Secreta foi o primeiro livro que li em um único dia, lembro-me que demorei apenas sete horas para ler, durante uma tarde, após a escola.

Na escola, os meus colegas me achavam esquisita: uma menina baixinha de roupas largas que sempre estava carregando um ou dois livros extras na mochila. Por causa disso, eu fui taxada de nerd e sofri bullying, mas eu não desisti dos livros ou do meu jeito de ser, porque eu aprendi com o Harry que não devia desistir dos meus valores por causa dos outros.

E é nessas pequenas coisas que digo que o Harry mudou minha vida. Ensinando-me o valor do amor e da amizade, da confiança nos meus valores e, em especial, tentar sempre fazer o bem aos outros, independentemente do quanto elas te façam mal. E o mais engraçado é que a lição final dos livros (para mim) consiste em: todo mundo erra, ninguém é perfeito. O que importa é seguir a sua vida, consertando o que fizer errado da melhor forma possível. Engraçado como os valores vão se tornando mais profundos e complexos, na medida em que o Harry vai crescendo (e eu também).

O que teria acontecido se, quando eu tinha dez anos, minha avó não tivesse comprado Harry Potter e a Pedra Filosofal para mim? Não tenho como imaginar, porque minha vida sem Harry Potter não é a minha vida, mas a de outra pessoa muito próxima e muito distante.

Por fim, coloco um vídeo muito divulgado na internet, feito pelo(a) :

Entradas Mais Antigas Anteriores