História Original: Primeiros Rascunhos

Conheci Row há alguns anos, quando eu tinha apenas sete anos de idade.

Naquela época, eu estava aprendendo a ler e resolvi dedicar o meu tempo a aprender a falar como um adulto; eu os observava conversando entre si para aprender os tópicos abordados e lia dicionários para que meu vocabulário ficasse mais amplo. Ao final daquele ano, eu possuía um vocabulário muito maior que o da minha professora.

Portanto, eu estava absorta lendo um dicionário quando ouvi uma batida na janela do meu quarto. Olhei assustada, procurando identificar a sua origem, e me deparei com um minúsculo passarinho me encarando cheio de dor. Logo em seguida, ele caiu, sumindo do meu campo de visão.

Eu saí correndo, pensando no que aconteceria ao coitado se Pudim o encontrasse antes de mim. Felizmente, encontrei o pássaro, ainda consciente, deitado próximo à janela do meu quarto; meu cachorro dormia ao lado da porta que levava à cozinha, tão preguiçoso que sequer levantou os olhos quando passei por ele.

Não me lembrava de qual era o nome daquela espécie, mas eu sabia que era comum, pois já vira muitos pássaros como aquele. Ele era menor do que a maioria dos que havia visto, portanto, provavelmente era um filhote.

Segurei a criaturinha com cuidado e levei até a minha mãe. Ela provavelmente saberia lidar com a situação melhor do que eu, já que trabalhava com animais – mesmo que ela só realmente soubesse sobre os que já haviam morrido há muito tempo – e eu não tinha conhecimento algum a respeito.

Mamãe me olhou com um misto de espanto e caridade quando eu o levei até ela. Ela examinou a pequena ave em cima da bancada da cozinha, tentando não machuca-la. O pássaro não desgrudou os olhos de mim e parecia pedir ajuda.

Alguns longos minutos depois, mamãe disse que esse pássaro era um filhote de bem-te-vi e que uma de suas asas estava quebrada. Com a minha ajuda, ela improvisou uma tala para imobilizá-la e, depois, colocou-o dentro de uma caixa de sapato e disse que eu o alimentasse com maçãs.

– Como sabe que ele come maçãs? – Eu perguntei, mamãe não podia ser tão boa assim.

– Nós sempre deixamos pedaços de frutas por aí para os passarinhos comerem. Você sabe como seu pai gosta deles por aqui. Eu já vi passarinhos como esse comendo frutas.

Querendo mostrar que seria responsável e cuidaria bem do passarinho, peguei uma maçã na geladeira, pedi à mamãe que ela cortasse em pequenos pedaços – porque ela continuava a se recusar a deixar que eu chegasse perto de uma faca; como se eu fosse matá-la enquanto dorme ou algo assim! – e levei a caixa com o pássaro e os pedaços de maçã para o meu quarto.

Lembro-me muito bem das horas que se seguiram. Ele estava realmente deprimido – seus olhos pareciam tão tristes que chorei várias vezes por ele –, mas eu tentava animá-lo conversando enquanto dava os pequenos pedaços de maçã.

A princípio, ele apenas me encarava confuso e cheio de dor, também não tocava na comida que eu lhe dava. Comecei a me preocupar, meus olhos se enchiam de lágrimas só de pensar no que aconteceria caso o pássaro continuasse com essa atitude.

Passava de cinco horas da tarde quando, finalmente, percebi que ele começava a compreender o meu recado. Ele parecia um pouco menos triste, ainda que fosse evidente que continuava a sentir dor, e começou a se esforçar para comer os pedaços de maçã que eu lhe dava.

Naquele dia, eu só o deixei sozinho por meia hora enquanto jantava com a minha família e, à noite, nem percebi quando adormeci ao lado da caixa. Lembro-me até hoje que tive um sonho vívido em que eu era um pássaro.

Acordei de repente na manhã seguinte, sem compreender ao certo o que me acordara.

– Fome… – ouvi uma voz muito aguda dizendo, – estou com fome!

Levantei a cabeça e me voltei para a voz. Sonolenta, demorei alguns segundo para perceber que encarava o pássaro.

– Estou com fome. Você tem alguma coisa para comer com você? – Perguntou.

Eu precisei conter o grito. Engoli-o duas vezes antes que conseguisse gaguejar.

– Você fala…?

Ele me encarou orgulhoso.

– Claro que eu falo! Você não se lembra de como me ensinou? – Devo ter parecido muito confusa, pois ele acrescentou: – no começo, eu não entendia as palavras que você colocou na minha cabeça, mas depois comecei a prestar atenção para afastar a dor e aprendi a entender. Você não tem nada para comer mesmo? Estou faminto!

– Eu não te ensinei… como poderia?

– Não sei. Que tal um pouco mais daquela fruta? Você a chamou de maçã?

Decidi deixar aquele assunto de lado por enquanto. Eu estava com tanta fome quanto o pássaro dizia estar, pois comera pouco no dia anterior. Levantei-me, prometendo trazer algo para comer, quando me lembrei de uma pergunta que não fizera: a mais importante.

– Qual é o seu nome? O meu é…

– Astreia, eu sei. O meu nome é Row, do clã dos Pitangus sulphuratus[1]!

Eu assenti e saí. Nunca mais nos separamos, mas resolvemos que eu não revelaria a ninguém que Row podia falar e jamais admitimos nossa amizade para as outras pessoas; assim, ele poderia continuar livre e eu não precisaria ouvir perguntas que não saberia responder.

Depois de muito pesquisar sobre comportamento animal, rendi-me ao fato de que o que ocorrera naquele momento fora magia. Minha primeira, mas, certamente, não a última.


[1] Nome científico do Bem-Te-Vi.

[Esse trecho pertence a minha história original]

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Resenha: Renascença

Renascença

“Renascença” começa passando a ideia de um excelente livro, com um enredo sensacional.

É contada a história de um jovem chamado Ezio Auditore, que vive na Florença do final do século XV. Ele é um rapaz despreocupado e com um futuro certo em frente quando, repentinamente, graças a uma reviravolta política, seu pai e seus dois irmãos são injustamente julgados culpados de traição e mortos em praça pública.

A Ezio cabe, então, arquitetar uma vingança contra os que assassinaram sua família e cuidar da mãe e da irmã. Para tanto, ele busca o auxílio do seu tio Mario, que mora numa cidade vizinha, e se junta à antiga Ordem dos Assassinos, a qual seu pai fizera parte.

Esse é um enredo interessante, mesclado ao ambiente renascentista e a presença ilustre de alguns personagens históricos, como Leonardo da Vinci, dá ao livro uma agradável expectativa.

Entretanto, com pouco mais de cinqüenta páginas, percebi que o autor, Oliver Bowden, ainda que excelente criador de histórias, não é tão bom contador.

Faltam sutilezas na narrativa. Primeiramente, ela é muito corrida, o autor nos faz esperar por detalhes que nunca aparecem, como partes do treinamento de Ezio, um pouco sobre o que se sucede entre Ezio e Rosa, um pouco mais sobre os personagens secundários. Enfim, o leitor passa grande parte do livro se sentindo jogado em ocasiões que não são explicadas muito adequadamente, cercado de personagens que ele não conhece muito bem.

Além disso, o tempo também é deixado de lado na narrativa. Deparamo-nos, repentinamente, sem saber ao certo quanto tempo se passou entre um pedaço do livro e o seguinte – que muitas vezes sequer estão em capítulos separados.

Por fim, a evolução da personagem principal é fracamente descrita. Há um enfoque no quanto Ezio se transforma no começo e, depois, ao seu treinamento e evolução como Assassino, mas repentinamente ele congela e, no final, ele parece ser uma pessoa completamente mudada inesperadamente.

Enfim, um enredo fabuloso, mas com uma das piores narrativas que já li em toda a minha vida.

Especial: As Minhas Dez Séries Favoritas [Parte II]

Finalizando a lista das minhas dez séries favoritas. Confesso, foi difícil definir a ordem certa dos livros para a segunda, a terceira e a quarta posições, ainda não estou muito certa porque gosto muito mesmo dessas séries.

5. Boudica, Manda Scott

Este é um dos muitos livros que encontrei nas minhas horas vagas atrás das estantes das livrarias. Boudica me chamou a atenção por causa do título. Todos que bem me conhecem sabem que sou fissurada pelos povos celtas e Boudica acaba por ser a minha personagem histórica favorita de todos os tempos.

Enfim, eu comprei o primeiro volume de Boudica após um pequeno passeio pelas prateleiras da Leitura do BH Shopping. Eu não podia comprar um livro tão caro, mas comprei mesmo assim e não me arrependi: poucos dias depois, já estava comprando o segundo e o terceiro volume. O quarto ainda não foi lançado no Brasil e estou esperando ansiosamente.

Muito bem, Boudica conta a história da jovem Breaca, princesa herdeira da tribo iceni, e Bán, seu meio-irmão. A primeira queria ser uma vidente iniciada nos mistérios e o segundo quer se tornar um grande guerreiro. Entretanto, de certa forma, os papéis se invertem, Breaca é quem tem grande vocação para guerreira e Bán possui um poderoso dom espiritual.

Manda Scott faz uma ficção histórica semelhante à de Christian Jacq em um aspecto: não há preocupação muito grande com datas e fatos, ainda que a autora pareça narrar com muita precisão os costumes celtas. Uma coisa que adoro ressaltar é que essa autora é, também, veterinária. O espaço que ela dá aos animais nessa série é praticamente inédito a meu ver, adoro a descrição que ela faz sobre eles e o tratamento que os humanos dispensam a eles!

Além do mais, Breaca e Bán são personagens maravilhosos e apaixonantes.

O livro conta com quatro volumes:

1.      Águia
2.      Touro
3.      Cão
4.      Lança-Serpente

 

4. A Espada da Verdade, Terry Goodkind

Essa foi, sem dúvida, a série mais difícil de colocar em alguma posição. Se não fosse o grande amor que sinto pelas três que estão na frente desta, acho que ela teria ficado talvez em segundo ou terceiro lugar.

Optei pela quarta colocação por uma razão muito simples: eu li apenas cinco dos treze livros que compõe a série. Nos oito livros restantes, muita coisa pode mudar.

Muito bem, primeira coisa que eu quero dizer sobre A Espada da Verdade. Esta é uma série que tentaram publicar no Brasil, mas não houve muitas vendas, portanto, só há um livro em português, A Primeira Regra do Mago. Eu li os livros em ebooks que estão sendo traduzidos por fãs, mas pretendo comprar todos em inglês quando tiver dinheiro.

Agora, falando a respeito da história em si. Tudo começa quando, certo dia, enquanto caminhava pela floresta, o guia Richard Cypher encontra uma jovem mulher sendo perseguida por quatro homens fortemente armados. O rapaz a ajuda e descobre que seu nome é Kahlan Amnel e que ela estava procurando alguém muito importante.

Juntos, eles seguem para a casa do melhor amigo de Richard, o velho Zedd, que ele afirma ser a única pessoa que provavelmente poderia ajudá-la. Ao chegar lá, entretanto, Richard tem muitas surpresas: ele descobre que, anteriormente, seu amigo Zedd fora um dos magos mais poderosos do mundo conhecido. Kahlan quer que o homem nomeie um Seeker of Truth [tradução: buscador da verdade], um herói cuja missão é buscar a verdade e fazê-la prevalecer.

Zedd acaba por nomear Richard um Seeker ao lhe entregar a Espada da Verdade. Juntos, os três partem para uma missão para destruir o tirano Darken Rahl e restaurar a paz.

Parece uma história simples, mas não é tanto assim. Richard é um dos personagens mais maravilhosos que tive o prazer de conhecer, minha adoração por ele beira a adoração que sinto por muitos personagens com quem eu cresci. Kahlan é… Kahlan. Não há ninguém como ela, se um dia eu estive próxima de me apaixonar por uma personagem de ficção, esta personagem é a Kahlan! E Zedd é ótimo: sarcástico, comelão e sábio. Ele é indiscutivelmente o mentor, um poderoso e sábio mentor. Isso fora as personagens que surgem nos livros seguintes.

É perfeita e passa lições lindas sobre praticamente tudo: amor, amizade, poder, ira, união, tirania; tudo! Eu sou apaixonada por essa série, de verdade, e ainda não entendo porque não fez sucesso aqui.

São treze livros:

1.      Debt of Bones
2.      Wizard’s First Rule [Primeira Regra do Mago]
3.      Stone of Tears
4.      Blood of the Fold
5.      Temple of the Winds
6.      Soul of the Fire
7.      Faith of the Fallen
8.      The Pillars of Creation
9.      Naked Empire
10.    Chainfire  
11.     Phantom
12.    Confessor
13.    The Omen Machine

3. Avalon, Marion Zimmer Bradley

Os livros mais famosos dessa série são As Brumas de Avalon, e foi por eles que eu conheci a Marion Zimmer Bradley e a série Avalon. Mas, sinceramente, se eu fosse eleger o melhor livro da série, nenhum dos quatro livros que compõe As Brumas de Avalon seria ele.

A apenas um personagem recorrente nessa série: a ilha de Avalon. Ela não aparece em todos os livros, mas é a história dela que a autora pretende contar nessa série. Sim, a mesmíssima ilha para onde, diz-se, o rei Artur teria ido repousar quando foi derrotado por Mordred.

Brumas de Avalon trata realmente da história do rei Artur, mas sob a ótica das mulheres que aparecem na lenda. Os outros livros, entretanto, sequer mencionam Artur e seus cavaleiros [à exceção de alguns pequenos trechos, A Senhora de Avalon].

A série conta também com alguns personagens recorrentes, mas eles surgem e ressurgem em reencarnações diversas e uma das grandes diversões dos fãs da série é descobrir quem é quem em cada um dos livros. Como algumas reencarnações são mencionadas, outras ainda podem ser deduzidas.

Tenho um carinho especial por essa série. Ela não trás temas de reflexão como a série Darkover, da qual eu já falei, mas tem é muito sensível a certos aspectos da cultura celta, pela qual eu tenho grande admiração.

São onze livros traduzidos para o português:

1.       A Queda de Atlântida: Teia de Luz
2.      A Queda de Atlântida: Teia de Trevas
3.      Os Ancestrais de Avalon
4.      Os Corvos de Avalon
5.      A Casa da Floresta
6.      A Senhora de Avalon
7.      A Sacerdotisa de Avalon
8.      As Brumas de Avalon: A Senhora da Magia
9.      As Brumas de Avalon: A Grande-Rainha
10.    As Brumas de Avalon: O Gamo-Rei
11.     As Brumas de Avalon: O Prisioneiro da Árvore

 

2. Percy Jackson e os Olimpianos, Rick Riordan

O engraçado sobre essa série é o fato de que eu a li muito relutante. Havia ouvido falar muito sobre ela por bastante tempo, mas sempre tive medo de ler: adaptações da mitologia grega à cultura popular sempre foram grandes decepções.

Mas o Rick tem grande domínio da mitologia grega e soube adaptá-la perfeitamente aos dias atuais. Além do mais, Percy Jackson é um excelente personagem principal e, o que falta nele, é encontrado em seus dois primeiros companheiros: Grover Underwood e Annabeth Chase.

Li O Ladrão de Raios um dia antes de ir ver o filme. Foi uma leitura rápida como eu não fazia desde Harry Potter. No começo, é confuso e não entendemos perfeitamente o que está acontecendo, porque o próprio personagem principal se sente assim, mas depois descobrimos: Percy não é uma pessoa comum, ele é filho do deus dos mares, Poseidon, e está sendo acusado de roubar o raio mestre de Zeus.

Em minha opinião, O Mar de Monstros, o segundo volume, é o mais fraco dos livros. Tyson, o novo companheiro de Percy e Annabeth, é ótimo, mas algo se perde. Por outro lado, a série ganha os pontos perdidos em O Mar de Monstros no terceiro volume, A Maldição do Titã, e, a partir daí, a série fica cada vez mais emocionante até atingir seu fim.

Qualquer apaixonado adulto que conheça crianças tem a obrigação indicar esta série. É engraçada, emocionante e muito instrutiva.

A série é composta por cinco volumes:

1.      O Ladrão de Raios
2.      O Mar de Monstros
3.      A Maldição do Titã
4.      A Batalha do Labirinto
5.      O Último Olimpiano

1. Harry Potter, J. K. Rowling

O não tão aguardado primeiro lugar. Óbvio, Harry Potter. O livro dispensa qualquer comentário, quem não leu até hoje está absurdamente desatualizado em termos de literatura.

Esta é, sem dúvida, a série de livros mais importante da atualidade. Não apenas é uma literatura de qualidade [o que pode ser até discutível], mas também porque são os primeiros livros publicados que realmente faziam as crianças largarem os videogames e a televisão para se debruçar sobre as páginas de um livro e mergulhar por horas.

Contra todas as expectativas da época [é sabido pelos fãs que J. K. Rowling foi rejeitada por várias editoras], Harry Potter é o livro de maior sucesso da atualidade.

Se você não leu, vai um pequeno resumo da história.

Harry Potter é um menino que vive oprimido pelos tios e pelo primo desde a morte de seus pais, quando ele tinha apenas um ano de idade. Repentinamente, em seu aniversário de onze anos, um gigante chamado Rúbeo Hagrid e lhe entrega uma carta convidando-o a ingressar Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Harry descobre, então, que é um bruxo e que seus pais, contrariamente ao que lhe fora dito pelos seus tios, haviam sido assassinados pelo mais poderoso bruxo das trevas do século XX, Lord Voldemort. O garoto havia sobrevivido ao ataque e aleijado, de alguma forma, o bruxo, que desaparecera; isso o tornara famoso entre os bruxos.

Isso é apenas um resumo dos primeiros capítulos do primeiro livro. Se você não a leu, leia. Tudo o que eu posso dizer a favor da série só faria obscurecer o verdadeiro valor que ela possui, portanto, fica só a dica.

1.      Harry Potter e a Pedra Filosofal
2.     Harry Potter e a Câmara Secreta
3.     Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
4.     Harry Potter e o Cálice de Fogo
5.     Harry Potter e a Ordem da Fênix
6.     Harry Potter e o Enigma do Príncipe
7.     Harry Potter e as Relíquias da Morte

Terminado o post. Eu recomendo a leitura de todas as séries! Em breve, a resenha do The Mark of Athena.

Especial: O Ciclo da Herança

Caros leitores do meu blog,

Nas próximas semanas, postarei aqui neste blog as resenhas dos quatro volumes do Ciclo da Herança, escrito por Chistopher Paolini. Também farei um pequeno apanhado de citações que me chamaram a atenção ao longo da série e apresentarei a vocês alguns dos personagens mais importantes da série.

Hoje, vou postar a resenha do primeiro volume da série, Eragon.

Abraços e nos vemos lá!

Resenha: A Série do Trílio

Primeiramente, eu gostaria de dizer que o nome “A Série do Trílio” não é oficial. Ele foi inventado porque todos os livros que compõe essa história têm a palavra Trílio no título.

Princesa Anigel

Muito bem. Essa saga partiu da ideia do agente literário alemão Uwe Luserke de uma história sobre três princesas que tem seu reino atacado e fogem, sendo forçadas a encarar um mundo hostil.

Para dar vida à história, Luserke chamou Marion Zimmer Bradley (“As Brumas de Avalon”), Julian May (“Pliocene Exile”) e Andre Norton (“Witch World”). As três autoras resolveram que o melhor seria que cada uma contasse a história de uma das irmãs: Bradley ficou com a culta irmã mais velha, Haramis; May escreveu sobre a delicada irmã mais jovem, Anigel; e Norton foi responsável pela irmã do meio, a jovem guerreira Kadiya.

Dessa forma, nasceu O Trílio Negro, o primeiro livro da série.

Entretanto, foi decidido que as sequências deveriam ser escritas separadamente. Julian May escreveu duas sequencias: O Trílio de Sangue e O Trílio Celeste; Marion Zimmer Bradley escreveu A Senhora do Trílio; e Andre Norton escreveu O Trílio Dourado.

O Trílio Negro

No prólogo, acompanhamos o nascimento das princesas trigêmeas abençoado pela Arquimaga Binah, também conhecida como Dama Branca, protetora do reino de Ruwenda. Ela entrega às meninas três pingentes mágicos e profetiza um destino terrível para o reino e para as três princesas.

A história começa com a invasão do reino de Ruwenda realizada por Voltrik, rei da vizinha Labornok, e o malvado feiticeiro Orogastus. O rei e a rainha são assassinados durante a tomada da Cidadela, mas as princesas trigêmeas conseguem escapar com a ajuda de seus amigos oddlings.

Acho que aqui cabe uma pausa para explicar a respeito dessas criaturas. Os oddlings são semi-humanos. Várias espécies nos são apresentadas durante este primeiro livro: os pequenos nyssomus, seus parentes maiores uisgus, os misteriosos vispis, os selvagens glismaks, os ferozes guerreiros wyvilos, e, por fim, os temidos skiriteks, que possuem hábitos e aparência mais animalescos.

Os três amigos e servos das três princesas são da tribo dos nyssomus. Acompanhando a jovem princesa Haramis, há o músico Uzun; o caçador Jagun é o melhor amigo da princesa Kadiya; e a governanta Immu é a companheira da princesa Anigel.

Princesa Kadiya

É interessante observar que esses amigos refletem exatamente as inclinações e características de cada uma das princesas. Haramis é a irmã mais velha e treinada para um dia ser rainha de Ruwenda, mas tem grande sede de conhecimento, adora livros e música. Kadiya é a irmã do meio e adora sair com seu amigo Jagun pelos pântanos que cercam a Cidadela para explorar ruínas antigas e conhecer as tribos dos oddlings. Por fim, temos Anigel que, delicada e gentil, começa como a típica princesa dos contos de fada, ela gosta dos afazeres da corte.

Enfim, continuemos a história. Protegidas pela magia dos pingentes dados há muito tempo pela Arquimaga, as três princesas escapam separadamente da Cidadela com ajuda de seus amigos e buscam caminhos individuais para chegar à casa da protetora de Ruwenda, que as havia chamado. Haramis segue em um pássaro gigante enviado pela Dama Branca. Kadiya segue diretamente pelos pântanos, buscando o caminho mais difícil.

Anigel é capturada pelo príncipe Antar, de Labornok, mas o rapaz se apaixona perdidamente por ela. A garota e Immu jogam com a boa vontade do príncipe e conseguem fugir, protegidas pelo pingente da princesa. Então, as duas seguem pelos rios com a ajuda dos animais aquáticos conhecidos como rimoriks.

Cada uma em seu tempo, as três princesas chegam à Arquimaga, que lhes diz que está morrendo e o único modo de salvar Ruwenda é juntando três talismãs mágicos conhecidos como o Círculo das Três Asas, o Monstro de Três Cabeças e o Olho Chamejante de Três Partes para formar o Cetro do Poder.

Então, cada uma delas parte na busca por um dos talismãs, enfrentando perigos que ajudam a descobrir o que há de melhor e de pior em cada um de seus corações.

Os Demais Livros

Princesa Haramis

A partir daqui, haverá spoilers do primeiro livro.

“O Trílio de Sangue” e “O Trílio Celeste”, escritos por Julian May, contam a história das três princesas doze anos após a derrota de Orogastus e Voltrik.

Em “O Trílio de Sangue”, Haramis passara doze anos aprendendo sobre seu talismã e tentando cumprir a função de Arquimaga que lhe fora deixada por Binah; Kadiya se esforça para que os oddlings fossem ouvidos como cidadãos de Ruwenda; e Anigel, ao lado de Antar, governa Ruwenda e Labornok, agora unificados. Neste momento, surge um novo mal, personificado por Portolanus, mestre do reino Tuzamen, que as princesas desconfiam ser Orogastus, que retornara da morte.

Alguns novos personagens nos são apresentados, dentre os quais os mais importantes provavelmente são Tolivar, filho mais jovem de Anigel e Antar, o rei menino do reino pirata Raktum, Ledavardis, também conhecido como rei duende por sua aparência desfigurada, a Arquimaga Iriane, que protege o Mar, e o Arquimago Denby, que protege o Firmamento.

Tanto em “O Trílio de Sangue” quanto em “O Trílio Celeste” as três irmãs lutam para restaurar o equilíbrio natural do mundo através da junção de seus talismãs e impedir que Orogastus tome posse dos talismãs para dominar o mundo.

Como não li “O Trílio Dourado”, de Andre Norton, não falarei muito sobre ele. Apenas sei que conta as aventuras da princesa Kadiya nos pântanos.

O Cetro do Poder

“A Senhora do Trílio”, escrito por Marion Zimmer Bradley, conta como a Arquimaga Haramis, quase 200 anos depois dos eventos de “O Trílio Negro”, descobre que morreria em breve e resolve treinar sua sucessora, a princesa do reino unificado de Ruwenda e Labornok, Mikayla. A menina, entretanto, quer apenas crescer para se casar com seu melhor amigo, Fiolon.

A história conta como Haramis se tornou amarga e egoísta mais de um século após a morte de suas irmãs, solitária e encarcerada na torre que um dia pertencera a Orogastus.

Conclusão

Os livros da “Série do Trílio” são divertidos e emocionantes. A história das trigêmias mostra como uma pessoa pode ser boa e má ao mesmo tempo. O universo foi muito bem criado, especialmente na trilogia de Julian May.

Eu gosto muito de todos os personagens criados, mas mais especialmente de Haramis e Orogastus, que evoluem enormemente ao longo da série.

Referências: Wikipédia – World of the Three Moons (Inglês), Wikipédia – Trillium Series (Inglês).

Resenha: O Diário de um Banana

Ao contrário dos livros que venho indicando neste blog, O Diário de um Banana, de Jeff Kinney, não é um livro de fantasia, recheado de criaturas fantásticas e elementos sobrenaturais. Ele pretende, na realidade, relatar a vida diária de Gregory Heffley, um garoto que se vê repentinamente jogado no ensino fundamental.

Greg, como é mais conhecido, tem grandes aspirações: ele deseja ser muito famoso e reconhecido – ainda que não saiba ao certo por quê. Acredita que uma boa forma de começar é sendo bastante popular no ensino fundamental e entrando com destaque no anuário.

Mas, para Greg, há um grande empecilho em seu caminho para a fama: seu melhor amigo, Rowley Jefferson.  Muito mais infantil e inocente que o amigo, Rowley tem o costume de cometer pequenas gafes sociais que causam grande vergonha em Greg. Certa vez, por exemplo, ele o chama em alta voz para “brincar” depois da aula; o outro retruca: “você tem que dizer ‘dar um tempo’, não ‘brincar’”.

Descobrimos, ao longo da série, que esta personagem principal não é o típico herói, ele possui defeitos, como arrogância e orgulho, que o levam a cometer atos de injustiça – principalmente com Rowley.

O Diário de um Banana é um livro infantil, como se pode perceber pelo enredo, mas pode ser lido e apreciado por pessoas de diversas idades. Greg é um personagem carismático, que expressa suas emoções de forma engraçada com desenhos e palavras. É difícil não se identificar com a história, pois a personagem passa por todas as situações que envolvem a passagem da infância para a adolescência.

Na capa, diz-se que este é “um romance em quadrinhos” por causa dos diversos desenhos que, supostamente, foram feitos pela personagem em seu próprio diário. Não se deve pensar, entretanto, que se trata de uma história em quadrinhos, sendo mais possível afirmar que este se trada de um livro recheado de ilustrações.

Particularmente, eu achei o livro bastante interessante. É extremamente rico para crianças e muito nostálgico para os leitores mais velhos, além de ser extremamente divertido.

A série conta, atualmente, com seis livros, dentre os quais cinco já foram publicados pela editora V&R, e três extras, dos quais apenas um, “O Diário de um Banana: Faça você mesmo”, foi publicado.

Também foram lançados três filmes sobre os três primeiros livros da série. Foram excelentes adaptações, portanto, eu recomendo bastante também.

A Jornada do Herói

Hoje, vivemos um momento de grande ascensão da assim chamada literatura infanto-juvenil. Com isso, somos constantemente apresentados a novos jovens heróis, como o bruxo Harry Potter, o semideus Percy Jackson, o gênio do crime Artemis Fowl e o cavaleiro de dragões Eragon Bromsson.

Harry Potter

A curiosidade dos fãs dessas séries os chama, também, a ler antigos clássicos que muito se assemelham às novidades da literatura do século XXI.

Alguns buscam as aventuras da Mitologia Grega, as lendas do rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, e alguns se voltam para literatura do início do século passado, representada principalmente por J. R. R. Tolkien, em O Senhor dos Anéis, e C. S. Lewis, em As Crônicas de Nárnia.

Porque as pessoas, independentemente de sua idade, sexo, origem e classe social, buscam esses heróis? O que os torna atemporais? O estudioso norte-americano David Leeming (2003) responde que:

“Individual e culturalmente, e também como espécie, perguntamo-nos sobre nossas origens, sobre a importância de nosso momento atual, e pensamos continuamente no futuro. Temos sempre consciência do caráter de jornada de nossa vida. É por isso que os adultos sempre contaram histórias às crianças para descrever essa jornada, e os líderes também as contam a seus povos pelas mesmas razões.” (p. 10)

Em um diálogo entre o herói Percy Jackson e seu mestre, o centauro Quíron, Rick Riordan(2009) expõe a sua resposta. Segundo ele, o herói

Percy Jackson

“transporta as esperanças da humanidade para a esfera do eterno. Os monstros nunca morrem. Eles renascem do caos e do barbarismo que sempre fermentam embaixo da civilização, o próprio material que torna Cronos mais forte. Precisam ser derrotados de novo, e de novo, mantidos encurralados. Os heróis personificam essa luta. Você enfrenta as batalhas que a humanidade precisa vencer, a cada geração, a fim de continuar sendo humana.” (p. 259-260)

Em 1949, o estudioso norte-americano Joseph Campbell publicou o livro O Herói de Mil Faces, no qual introduziu o termo monomito, ou “jornada do herói”. A “jornada” que Riordan e Leeming apresentam aos seus leitores fora explicada então de forma esquemática, que mostra que continuamos a nos identificar com esses heróis porque eles são, até certo ponto, parecidos.

O monomito está dividido em três partes: a partida, a iniciação e o retorno; estas partes estão subdivididas em doze estágios. Portanto, eles são:

    1. O Mundo Comum: no qual é apresentado o mundo em que o herói vive antes de sua história começar;
    2. O Chamado à Aventura: algo quebra a rotina do herói;
    3. A Recusa do Chamado: o herói se recusa a aceitar o chamado;
    4. O Auxílio Sobrenatural: o herói se encontra com um mentor, que o faz aceitar o chamado e o prepara;
    5. A Passagem pelo Primeiro Limiar: o herói abandona o seu mundo e passa para um mundo distinto, o que pode ocorrer por vontade própria ou ele pode ser obrigado;
    6. O Ventre da Baleia: o herói passa a viver no mundo especial e aprende sobre ele. Lá enfrenta desafios e inimigos, e recebe a ajuda de aliados.
    7. Aproximação: se aproxima o objetivo final da missão do herói;
    8. Provação Máxima: o momento de maior tensão e crise da aventura;
    9. Recompensa: como o nome diz, o herói tem êxito e conquista uma recompensa;
    10. Caminho de Volta: o herói retorna ao seu mundo comum;
    11. Ressurreição do Herói: neste momento, o herói tem que enfrentar uma nova provação ligada à morte, na qual ele terá que usar tudo que aprendeu;
    12. Regresso com o Elixir: é o fim da história, no qual o herói retorna ao seu mundo, mas transformado.

Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda

Albert P. Dahoui lembra que essa jornada nem sempre é apresentada da mesma forma, nem toda jornada precisa necessariamente responder a esse modelo e, mesmo as que respondem, nem sempre contém todas as etapas. Entretanto, percebemos algumas dessas fases em todas as histórias aqui citadas.

Harry Potter e Percy Jackson apresentam esse ciclo em cada um de seus respectivos livros e durante toda a aventura simultaneamente.

Os irmãos Pevensie, em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, tem uma jornada que só é concluída no último livro da série, A Última Batalha; ainda que a conclusão fuja um pouco do esquema de Campbell (não contarei para não estragar a surpresa de quem leu ainda).

Aragorn e Frodo, em O Senhor dos Anéis, devem desempenhar os papéis de heróis; cada um com o seu objetivo, cada um com a sua jornada. Entretanto, a mesma história.

E, por fim, os mitos gregos aos quais o próprio Campbell remete, e o ciclo arturiano.

Diferenças à parte, todos tratam a respeito de heróis que, como Riordan (2009) sabiamente descreveu, transportam “as esperanças da humanidade para a esfera do eterno” (p. 259).

Por fim, deixo meu vídeo sobre o Merlin e suas figuras hoje em dia, feito para a disciplina “História das Civilizações no Medievo” em 2010:

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Wikipédia

Fontes:

CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Pensamento, 1995.

DAHOUI, Albert Paul. A Jornada do Herói. Disponível em: <http://www.roteirodecinema.com.br/manuais.htm&gt;.

LEEMING, David. Do Olimpo a Camelot: Um panorama da mitologia européia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

RIORDAN, Rick. O Mar de Monstros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2009.