Resenha: Renascença

Renascença

“Renascença” começa passando a ideia de um excelente livro, com um enredo sensacional.

É contada a história de um jovem chamado Ezio Auditore, que vive na Florença do final do século XV. Ele é um rapaz despreocupado e com um futuro certo em frente quando, repentinamente, graças a uma reviravolta política, seu pai e seus dois irmãos são injustamente julgados culpados de traição e mortos em praça pública.

A Ezio cabe, então, arquitetar uma vingança contra os que assassinaram sua família e cuidar da mãe e da irmã. Para tanto, ele busca o auxílio do seu tio Mario, que mora numa cidade vizinha, e se junta à antiga Ordem dos Assassinos, a qual seu pai fizera parte.

Esse é um enredo interessante, mesclado ao ambiente renascentista e a presença ilustre de alguns personagens históricos, como Leonardo da Vinci, dá ao livro uma agradável expectativa.

Entretanto, com pouco mais de cinqüenta páginas, percebi que o autor, Oliver Bowden, ainda que excelente criador de histórias, não é tão bom contador.

Faltam sutilezas na narrativa. Primeiramente, ela é muito corrida, o autor nos faz esperar por detalhes que nunca aparecem, como partes do treinamento de Ezio, um pouco sobre o que se sucede entre Ezio e Rosa, um pouco mais sobre os personagens secundários. Enfim, o leitor passa grande parte do livro se sentindo jogado em ocasiões que não são explicadas muito adequadamente, cercado de personagens que ele não conhece muito bem.

Além disso, o tempo também é deixado de lado na narrativa. Deparamo-nos, repentinamente, sem saber ao certo quanto tempo se passou entre um pedaço do livro e o seguinte – que muitas vezes sequer estão em capítulos separados.

Por fim, a evolução da personagem principal é fracamente descrita. Há um enfoque no quanto Ezio se transforma no começo e, depois, ao seu treinamento e evolução como Assassino, mas repentinamente ele congela e, no final, ele parece ser uma pessoa completamente mudada inesperadamente.

Enfim, um enredo fabuloso, mas com uma das piores narrativas que já li em toda a minha vida.

Anúncios

Os Católicos e o Pecado

by Mango84

Inesperadamente, enquanto pesquisava sobre a Inquisição, eu me deparei com um texto de um teólogo atual do qual eu já ouvi católicos ferrenhos falarem muito bem, Leonardo Boff. O autor, após ser muito criticado pela Igreja católica, distanciou-se da instituição de sua fé sem abandoná-la completamente. Reflexões diante da postura da “Congregação para a Doutrina da Fé”, liderada pelo então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, levaram  Boff (1993) a escrever:

“O espírito que fez surgir a Inquisição perdura na Igreja romano-católica, pois persiste a predominância do corpo clerical sobre toda a comunidade e a visão piramidal da Igreja, centrada no poder sagrado (…).
Ela continua na mentalidade e nos métodos da atual Congregação para a Doutrina da Fé. As modificações históricas, ao nível estrutural, são praticamente nulas. Evidentemente, não se condena mais à morte física, mas claramente não se evita a morte psicológica. Pressiona os acusados até o limite da suportabilidade psicológica.” (p. 24-25)

Provavelmente, o autor se referia apenas às restrições que Igreja impunha diante de suas idéias consideradas distantes da doutrina pregada pela instituição. Esse mesmo texto o faria vivenciar a experiência de ter suas idéias podadas pela instituição de sua fé e, após essa decepção, provocaria seu afastamento (por vontade própria) da vida clerical. Mas é evidente que isso se aplica às outras proibições que ela vem querendo impor: o uso da camisinha e outros métodos contraceptivos, a legalização do aborto, o uso de células-tronco, a institucionalização da união homossexual, a criminalização da homofobia, entre muitos outros.

Indo um pouco além, frei Betto, dominicano e adepto da mesma Teologia da Libertação de Leonardo Boff, menciona que “ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hétero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatário da graça divina”.

A Igreja católica, grande moldadora da consciência das pessoas, parece imutável nos seus mais de dez séculos de existência. Entretanto, é evidente que há uma mudança de pensamento radical no chamado baixo clero, aquele que possui o verdadeiro poder de persuasão. Os muitos preconceitos estão caindo por terra e, talvez, todos possamos ser quem somos sem medo em um futuro próximo.

Por fim, eu deixo uma frase a todos que se arriscam, por quaisquer motivos, a arder eternamente no inferno. E também àqueles que têm medo de arriscar, quem sabe. Também deixo um vídeo, uma propaganda linda contra o bullying homofóbico nas escolas, promovendo a idéia da amizade entre os jovens como uma maneira de combater esse mal.

A frase foi escrita pela maravilhosa Marion Zimmer Bradley, em seu famoso livro As Brumas de Avalon; o vídeo foi criado como parte da campanha BeLonG To, feita pela Stand Up! LGBT Awareness Week.

“Se o pecado é o preço de nossa união, (…) então pecarei alegremente e sem lamentar, pois isso me leva de volta a você.”

Fontes: 

BETTO. Os gays e a Bíblia. Disponível em: <http://www.planetaosasco.com/oeste/index.php?/2011052814398/Nosso-pais/frei-betto-a-igreja-nao-tem-o-direito-de-encarar-ninguem-como-homo-ou-hetero.html&gt;. Acesso em: 28 maio 2011.

BOFF, Leonardo. Inquisição: Um espírito que continua a existir. EYMERICH, Nicolau; PEÑA, Francisco. Manual dos Inquisitores. Brasília: Fundação Universidade de Brasília, 1993. p. 7-28.