Os Católicos e o Pecado

by Mango84

Inesperadamente, enquanto pesquisava sobre a Inquisição, eu me deparei com um texto de um teólogo atual do qual eu já ouvi católicos ferrenhos falarem muito bem, Leonardo Boff. O autor, após ser muito criticado pela Igreja católica, distanciou-se da instituição de sua fé sem abandoná-la completamente. Reflexões diante da postura da “Congregação para a Doutrina da Fé”, liderada pelo então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, levaram  Boff (1993) a escrever:

“O espírito que fez surgir a Inquisição perdura na Igreja romano-católica, pois persiste a predominância do corpo clerical sobre toda a comunidade e a visão piramidal da Igreja, centrada no poder sagrado (…).
Ela continua na mentalidade e nos métodos da atual Congregação para a Doutrina da Fé. As modificações históricas, ao nível estrutural, são praticamente nulas. Evidentemente, não se condena mais à morte física, mas claramente não se evita a morte psicológica. Pressiona os acusados até o limite da suportabilidade psicológica.” (p. 24-25)

Provavelmente, o autor se referia apenas às restrições que Igreja impunha diante de suas idéias consideradas distantes da doutrina pregada pela instituição. Esse mesmo texto o faria vivenciar a experiência de ter suas idéias podadas pela instituição de sua fé e, após essa decepção, provocaria seu afastamento (por vontade própria) da vida clerical. Mas é evidente que isso se aplica às outras proibições que ela vem querendo impor: o uso da camisinha e outros métodos contraceptivos, a legalização do aborto, o uso de células-tronco, a institucionalização da união homossexual, a criminalização da homofobia, entre muitos outros.

Indo um pouco além, frei Betto, dominicano e adepto da mesma Teologia da Libertação de Leonardo Boff, menciona que “ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hétero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatário da graça divina”.

A Igreja católica, grande moldadora da consciência das pessoas, parece imutável nos seus mais de dez séculos de existência. Entretanto, é evidente que há uma mudança de pensamento radical no chamado baixo clero, aquele que possui o verdadeiro poder de persuasão. Os muitos preconceitos estão caindo por terra e, talvez, todos possamos ser quem somos sem medo em um futuro próximo.

Por fim, eu deixo uma frase a todos que se arriscam, por quaisquer motivos, a arder eternamente no inferno. E também àqueles que têm medo de arriscar, quem sabe. Também deixo um vídeo, uma propaganda linda contra o bullying homofóbico nas escolas, promovendo a idéia da amizade entre os jovens como uma maneira de combater esse mal.

A frase foi escrita pela maravilhosa Marion Zimmer Bradley, em seu famoso livro As Brumas de Avalon; o vídeo foi criado como parte da campanha BeLonG To, feita pela Stand Up! LGBT Awareness Week.

“Se o pecado é o preço de nossa união, (…) então pecarei alegremente e sem lamentar, pois isso me leva de volta a você.”

Fontes: 

BETTO. Os gays e a Bíblia. Disponível em: <http://www.planetaosasco.com/oeste/index.php?/2011052814398/Nosso-pais/frei-betto-a-igreja-nao-tem-o-direito-de-encarar-ninguem-como-homo-ou-hetero.html&gt;. Acesso em: 28 maio 2011.

BOFF, Leonardo. Inquisição: Um espírito que continua a existir. EYMERICH, Nicolau; PEÑA, Francisco. Manual dos Inquisitores. Brasília: Fundação Universidade de Brasília, 1993. p. 7-28.

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Quotes: Albus Dumbledore

por Limone02

Segundo o Wikipédia:

Nos livros, Dumbledore é descrito como um feiticeiro clássico: alto e magro, idoso, mas sem demonstrar fraqueza, com longos cabelos branco-prateados e barba da mesma cor, suficientemente longos para prender no cinto, olhos azuis brilhantes, luminosos, cintilantes e penetrantes como se radiografassem as pessoas (…).

É dito também à cerca dele que é uma pessoa extremamente bondosa, sempre pronta a acreditar no melhor das pessoas. No entanto, é solitário, devido à sua superioridade em poder e em grandeza de espírito. Age sempre com grande elegância, educação e classe. Prima pelas boas maneiras e trata educadamente todos os que o rodeiam, sem distinção, amigos e inimigos da mesma forma: até mesmo o tenebroso Lord Voldemort é tratado calma e educadamente, como se este ainda fosse o seu jovem aluno.

Como este meu personagem favorito em toda a série e dono de frases muito fortes e verdadeiras, eu coloco, à seguir, um pequeno apanhado da sabedoria desse grande mestre.

“Não faz bem viver sonhando e se esquecer de viver, lembre-se.” (Harry Potter e a Pedra Filosofal)

“Para a mente bem estruturada, a morte é apenas a aventura grande seguinte.” (Harry Potter e a Pedra Filosofal)

“São nossas escolhas, Harry, que mostram o que realmente somos, muito mais do que nossas qualidades.” (Harry Potter e a Câmara Secreta)

“Amortecer a dor por algum tempo apenas a tornará pior quando você finalmente a sentir.” (Harry Potter e o Cálice de Fogo)

“Você atribui demasiada importância, como sempre fez, à chamada pureza do sangue! Você não consegue reconhecer que não faz diferença quem a pessoa é ao nascer, mas o que ela vai ser quando crescer.” (Harry Potter e o Cálice de Fogo)

“Estamos diante de tempos negros e difíceis. Logo, teremos que escolher entre o que é certo e o que é fácil.” (Harry Potter e o Cálice de Fogo – Filme)

“Os jovens não podem saber como os idosos pensam e sentem. Mas os velhos são culpados quando se esquecem do que era ser jovem.” (Harry Potter e a Ordem da Fênix)

“Erro como qualquer outro homem. De fato, sendo, perdoe-me, bem mais inteligente do que a maioria, os meus erros tendem a ser proporcionalmente maiores.” (Harry Potter e o Enigma do Príncipe)

“É o desconhecido que receamos quando olhamos para a morte e a escuridão, nada mais.” (Harry Potter e o Enigma do Príncipe)

“Não tenha piedade dos mortos, Harry. Tenha piedade dos vivos e, acima de tudo, daqueles que vivem sem amor.” (Harry Potter e as Relíquias da Morte)

“Claro que está acontecendo na sua mente, Harry, mas por que isso significaria que não é real?” (Harry Potter e as Relíquias da Morte)

Como Harry Potter mudou a minha vida

Há alguns meses tenho pensado em discursar sobre esse assunto, mas a falta de tempo me impediu. Entretanto, com o final evidente da série, eu preciso falar um pouco sobre Harry Potter. Escrevi esse texto para o Fórum 6v e quero reproduzi-lo por aqui também.

É um pouco difícil dizer como essa série mudou a minha vida, porque ela simplesmente é parte da minha vida. Eu li A Pedra Filosofal pela primeira vez com dez anos de idade e, desde então, venho crescendo e o Harry também. As experiências pelas quais ele passou me ensinaram valores, transformaram-me na pessoa que sou hoje. Como eu seria se nunca tivesse lido Harry Potter? Eu não consigo nem imaginar, de forma que nunca poderia responder como mudou a minha vida.

Eu era muito nova e não me lembro exatamente da primeira vez que li Harry Potter e a Pedra Filosofal; só sei que adorei cada um dos livros (menos do segundo e do quarto, mais do primeiro e do terceiro).

A única coisa que lembro é que deparei logo no primeiro capítulo com palavra “defronte” e perguntei a minha mãe o que significava aquilo; e também não sabia o que significava “broca”, mas não perguntei o que era a ninguém. E fico pensando no quanto as coisas mudaram, porque depois eu aprendi a olhar no dicionário e parei de perguntar ou deixar palavras passarem em branco. Hoje, o significado da palavra “defronte” não é nenhum mistério para mim, assim como muitas outras coisas e muitas outras palavras.

No meio tempo entre o lançamento do quarto e do quinto livros, eu reli Pedra Filosofal onze vezes e Prisioneiro de Azkaban treze vezes. Eu terminava de ler um livro e partia para o outro; lia dois ou três livros ao mesmo tempo, dentre os quais sempre estava Harry Potter. A Câmara Secreta foi o primeiro livro que li em um único dia, lembro-me que demorei apenas sete horas para ler, durante uma tarde, após a escola.

Na escola, os meus colegas me achavam esquisita: uma menina baixinha de roupas largas que sempre estava carregando um ou dois livros extras na mochila. Por causa disso, eu fui taxada de nerd e sofri bullying, mas eu não desisti dos livros ou do meu jeito de ser, porque eu aprendi com o Harry que não devia desistir dos meus valores por causa dos outros.

E é nessas pequenas coisas que digo que o Harry mudou minha vida. Ensinando-me o valor do amor e da amizade, da confiança nos meus valores e, em especial, tentar sempre fazer o bem aos outros, independentemente do quanto elas te façam mal. E o mais engraçado é que a lição final dos livros (para mim) consiste em: todo mundo erra, ninguém é perfeito. O que importa é seguir a sua vida, consertando o que fizer errado da melhor forma possível. Engraçado como os valores vão se tornando mais profundos e complexos, na medida em que o Harry vai crescendo (e eu também).

O que teria acontecido se, quando eu tinha dez anos, minha avó não tivesse comprado Harry Potter e a Pedra Filosofal para mim? Não tenho como imaginar, porque minha vida sem Harry Potter não é a minha vida, mas a de outra pessoa muito próxima e muito distante.

Por fim, coloco um vídeo muito divulgado na internet, feito pelo(a) :